Protesto pedindo renúncia de presidente no Iêmen reúne 20 mil

Manifestantes pró e contra o governo vão às ruas em Sanaa.
Manifestantes pró e contra o governo vão às ruas em Sanaa.

Mais de 20 mil manifestantes foram às ruas da capital do Iêmen, Sanaa, nesta quinta-feira, pedindo a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, há mais de 30 anos no poder.

Na quarta-feira, Saleh afirmou que não tentará a reeleição ao fim de seu mandato, em 2013, e que não passará o poder a seu filho, mas a promessa não acalmou os ânimos dos opositores, que pedem reformas políticas imediatas.

Ao mesmo tempo em que a multidão se reunia para protestar contra o governo, um grande grupo de simpatizantes do presidente também ocupou uma praça no centro da capital.

As manifestações são as maiores no país desde o início das duas semanas de protestos, inspirados nos levantes populares no Egito e na Tunísia.

‘Dia de fúria’

Manifestantes contrários ao governo, reunidos do lado de fora da Universidade de Sanaa, gritavam: “O povo quer mudança de regime. Não à corrupção. Não à ditadura”.

O protesto, batizado de “dia de fúria”, foi organizado por grupos da sociedade civil e líderes da oposição, que criticam o aumento da pobreza entre uma população jovem crescente e a frustração com a falta de liberdade política.

Os simpatizantes de Saleh, concentrados na Praça Tahrir (Libertação), também pedem reformas políticas e econômicas, mas eles acreditam que apenas o presidente pode garantir a segurança e a estabilidade necessárias para que elas sejam realizadas.

Houve temores de que os protestos pró e contra o governo pudessem terminar em violência, mas as manifestações parecem estar acontecendo de forma pacífica, segundo a correspondente da BBC Lina Sinjab.

Aliado ocidental

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assumiu a Presidência da República Árabe do Iêmen (ou Iêmen do Norte) em 1978, por meio de um golpe militar. Em 1990, ele tornou-se presidente da nova república, criada a partir a fusão entre os Iêmens do Norte e do Sul.

Saleh colaborou com os Estados Unidos na chamada guerra ao terror, durante o mandato de George W. Bush. A grande presença de militantes da rede Al-Qaeda, que ameaça frequentemente o regime, é uma das maiores preocupações do governo.

As duas eleições que Saleh venceu – em 1999 e 2006 – foram marcadas por acusações de fraude por parte da oposição.

Segundo o correspondente da BBC David Bamford, o governo de Saleh enfrenta acusações de corrupção e de concentração de poder em torno de seu clã. O partido governista, o Congresso Geral do Povo, tem ampla maioria no Parlamento.

Em janeiro, Saleh propôs uma emenda constitucional que permitiria sua reeleição no pleito previsto para 2013, o que deu início às manifestações.

*Com informações do Deutsche Welle

 


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