Eternamente Moacyr Scliar | Por Luiz Carlos Amorim

As letras brasileiras estão de luto: nós, que gostamos de boa leitura, perdemos mais um grande escritor, o gaúcho Moacyr Scliar. Eu o conheci em Joinville, há um bom tempo, quando ele foi prestigiar a apresentação da teatralização de um livro seu, selecionado para o vestibular da UFSC e da ACAFE daquele ano, que eu já não lembro qual. Foi nos anos 90, se não me engano. Um cara simples, simpático, gentil, educado, culto. Dava gosto conversar com ele. Era atencioso com seus leitores e admiradores e era fácil fazer amizade com ele. Era carismático e não era só um grande escritor: foi, também, um grande médico, pois sabia tratar bem as pessoas.

A trajetória dele como escritor tornou-o um ícone da literatura brasileira. Em 1962, publicou o seu primeiro livro, quando ainda cursava a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: “Histórias de um Médico em Formação”. Com grande talento e um incrível poder de observação, nos deixa quase uma centena de livros. Sua obra reflete um extraordinário conhecimento da tradição judaico – cristã. Recebeu inúmeros e merecidos prêmios literários e tem livros publicados na Inglaterra, Russia, República Tcheca, Eslováquia, Suécia, Noruega, França, Alemanha, Israel, Estados Unidos, Holanda , Espanha e Portugal

Alguns dos seus textos foram adaptados para o cinema e televisão. Em 31 de julho de 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Então, não perdemos apenas o escritor talentoso e premiado: perdemos um amigo, do qual sentiremos falta mais do que da sua obra, pois ela está aí para relermos a qualquer tempo, recriando o seu legado.

Vai com Deus, Moacyr. De qualquer maneira, você continuará vivo na sua vasta obra, cada vez que alguém ler algum livro seu. O homem bom e o grande escritor estarão sempre muito vivo para os seus leitores e os seus amigos.

*Por Luiz Carlos Amorim


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