Luta de classes no Brasil do pleno emprego

Apesar da geração de riqueza recente, que fez da economia brasileira a sétima maior do mundo e o reconhecimento internacional deste novo momento que vive o Brasil, o modelo perverso de concentração de renda e exclusão social permanece.

Fatos surpreendentes ocorrem no movimento operário brasileiro atual: greve de 33 dias dos trabalhadores da construção civil de Salvador, com alcance metropolitano; movimento social de protesto, com violência, dos trabalhadores do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, cidade rondoniense a 140 quilômetros de Porto Velho — movimento este contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho que, em algumas situações, pode ser caracterizado como de semi-escravidão.

Qual a causa da força destes movimentos? Aonde os operários da construção civil de Salvador encontram fôlego para permanecer mais de um mês de braços cruzados, sem renda, em greve?

Muitos destes trabalhadores utilizam criativas estratégias de sobrevivência no período paradista. Se ocupam como biscateiros, vendedores ambulantes, diaristas… mas isso é válido apenas para uma parcela dos trabalhadores em greve, não para toda a categoria profissional.

No momento de forte aquecimento econômico, especialmente na construção civil, estes atores sociais — os peões de obra — adquirem visibilidade, e através dos seus movimentos, desejam participar do bolo do crescimento econômico nacional.

Apesar da geração de riqueza recente, que fez da economia brasileira a sétima maior do mundo e o reconhecimento internacional deste novo momento que vive o Brasil, o modelo perverso de concentração de renda e exclusão social permanece — apesar das tímidas, porém benfazejas, políticas de distribuição de renda via Estado e da redução do desemprego.

O Estado e a sociedade brasileira necessitam compreender este novo momento, e possibilitar o acesso a uma real cidadania para aqueles a qual sempre a cidadania foi negada: os brasileiros e brasileiras pobres, os afro-descendentes, os nordestinos etc.

O acesso a real cidadania dos mais pobres só será realizado através de um novo pacto social liderado pelo Estado nacional, cujo único paralelo histórico encontramos no Brasil getulista a partir de 1931, ano de criação do Ministério do Trabalho e do início da instituição de uma legislação trabalhista e previdenciária no país — quando o Estado assumiu a função de mediador e árbitro da luta de classes num país que se industrializava.

Não resta dúvida que a inclusão social na atualidade passa por um “choque educacional”, entre outras medidas. A educação pública como prioridade, com ações eficazes, é o melhor mecanismo de inclusão social e cidadania para os brasileiros pobres que se mobilizam pela conquista de melhores dias.

Só com a realização de tarefas históricas desta magnitude, poderemos ostentar com orgulho o título de potência mundial que a imprensa estrangeira insiste em nos designar.


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