Vereador do Mato Grosso do Sul agride covardemente jornalista do SBT

O vereador Lourivaldo Rodrigues de Moraes, da cidade de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso do Sul, é um homem de múltiplas facetas. Seu jeitão destrambelhado lhe rendeu a simpatia das camadas mais pobres do município de 40000 habiranres, transformou-o no campeão de votos nas últimas eleições municipais – mas também ajudou a encerrar precocemente sua carreira. Kirrarinha, como é conhecido, responde a sete processos, por acusações que variam de ímprobidade administrativa (descobriu-se que ele ficava com o salário dos funcionários do gabinete) a desvio de equipamentos de instituições sociais (descobriu-se que ele desapareceu com um lote de cadeiras de rodas). No ano passado, ele mostrou que também fazia jus à fama de valente. Ao deixar a delegacia do município, onde tentava explicar por que estimulou a invasão de casas de um programa habitacional, Lourivaldo foi abordado pela repórter Márcia Pache, da TV Centro-Oeste, afiliada do SBT. Ela queria ouvir suas explicações sobre o caso. Para impedir a aproximação, num movimento à la Anderson Silva, o brasileiro campeão de vale-tudo, o vereador desferiu um violento golpe no rosto da jornalista. Na semana passada, o vereador foi a nocaute.

Por causa da agressão, Kirrarinha já havia sido cassado por quebra de decoro parlamentar. Agora, porém, a Jusriça decidiu condená-lo a um ano de prisão em regime aberto, pena máxima prevista para o crime de lesão corporal. Fim do caminho do valentão? Não. O arsenal de possibilidades do ex-vereador parece infinito. A polícia investiga a participação dele num atentado a bomba contra uma creche da cidade, que abriga 450 crianças, há duas semanas. O artefato foi desarmado por integrantes da Força Nacional de Segurança que atuam na região. Dois detalhes levaram as autoridades a suspeitar do ex-vereador. Kirrarinha já foi acusado de colocar explosivos na casa do prefeito da cidade, seu desafeto político, e na casa de um oficial de Justiça que ousou intimá-Io a depor num processo. O outro detalhe é uma estranha coincidência: um dos alunos da creche é o filho caçula de também responsável pelas graves denúncias de corrupção apresentadas contra o ex-vereador. “Ele é capaz de tudo”, garante a jornalista, que mede 1,51 metro e pesa 56 quilos.

O valente, de 1,75 metro e 76 quilos, tem currículo. “Ele exibe um comportamento recorrente de afronta à lei”, afirma a promotora de Justiça da cidade, Nathalia Magnani. Em entrevista a VEJA, a jornalista conta que, desde que foi vítima da agressão, sua vida virou um inferno. Segundo ela, Kirrarinha ronda sua casa frequentemente e alguns de seus correligionários já ameaçaram agredi-la de novo. O ex-vereador, que é filiado ao DEM, diz que tudo não passa de perseguição de adversários políticos. “Eu perdi a cabeça com ela (a jornalista) e fiquei marcado por isso. Agora, virei culpado de tudo o que acontece nesta cidade. É injusto. Todos temos dentro de nós uma fúria adormecida. A minha se manifestou no momento errado”, explica Kirrarinha, um peso-pesado abatido pela covardia.


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