Bolsonaro x Preta Gil | Por Maria Regina Canhos Vicentin

É impressionante como a sociedade arruma meios de colocar na pauta do dia suas apreensões e temores; seus conceitos, às vezes, equivocados; sua insegurança diante de tantas possibilidades; sua confusão interna. A população adoece dia a dia com o descaso das autoridades, com a falta de atenção, com o desamor. As pessoas estão perdidas; já não sabem onde buscar orientação adequada.

Hoje em dia, tudo parece ser possível, tudo parece ser bom, tudo precisa ser aceitável. A intolerância é feia. Precisamos compreender a violência, a promiscuidade, o preconceito, inclusive achando tudo isso normal. Embora, em princípio, possamos expressar nossa opinião livremente, antes mesmo que ela saia de nossa boca está acorrentada. A maioria só ouve o que lhe interessa. Pesquisas mostram que a maior parte das pessoas só enxerga aquilo que espera e quer ver. Se acontece no cenário algo diferente do esperado simplesmente não é notado ou visto. Deduzo que o momento é propício para o “bode expiatório”.

Numa sociedade que já não sabe mais por onde caminhar, onde vale tudo, é tão difícil viver. Fazem-se esforços hercúleos para que se estabeleça a ordem, ainda que através do caos. A revisão dos paradigmas é cíclica, e sempre provoca inquietações. O conflito entre a moralidade, a imoralidade e a falsa moralidade sempre existiu. Há os que fazem, os que não fazem, e os que fazem escondido. Quando o número dos que fazem escondido é muito grande, começa a haver complicações e, mais dia menos dia, os paradigmas precisam ser revistos. Quase sempre elegem um “Judas” para apedrejar. Pelo jeito, já fizeram a eleição do momento. Não sei se é para rir ou chorar. As opiniões se dividem entre apoio ou repulsa. É difícil perceber o que está por trás de tanta falação…

O mundo dos interesses é assim. Costuma se aproveitar de situações como essa para manipular opiniões, distorcendo palavras e criando polêmicas onde existem simples opiniões pessoais. Aliás, pensamos que podemos ter opiniões pessoais, mas nem sempre. Ai de nós se expressarmos uma opinião politicamente incorreta. Não há perdão quando existem interesses em jogo. É lamentável, profundamente lamentável.

Enquanto isso a população assiste a tudo visivelmente agitada, envolvida pelos argumentos favoráveis e contrários. Muitos, como no Coliseu romano, não sabem se torcem pela fera ou pelo gladiador. Aliás, nem sabem por que estão torcendo, já que não são eles que lucram alguma coisa com a execução.

Num momento em que o filme Bruna Surfistinha bate recorde de público e renda na maioria dos cinemas brasileiros, influenciando nossas adolescentes a abraçar a prostituição; e que o BBB 11 acaba de premiar mais uma vítima, dá até para entender a mobilização diante da emissão de uma opinião pessoal. Certamente, algo de podre está vindo por aí…

*Por Maria Regina Canhos Vicentin


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