Vivadança Festival recebe em Salvador o solistas premiados pelo Internationales Solo-Tanz-Theater Festival de Stuttgart

Jornal Grande Bahia, compromisso em informar.
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Intercâmbio do Festival baiano com a premiação alemã fortalece o cenário da dança mundial, além de promover a troca de experiências entre artistas de lugares e estilos distintos.

Ampliando sua rede de contatos com importantes companhias e festivais ao redor do mundo, o VIVADANÇA Festival Internacional Ano 5 anuncia para 2011 uma nova parceria. Numa articulação inédita com o Fórum Internacional de Dança – São José do Rio Preto (SP), o VIVADANÇA Festival recebe em Salvador solistas vencedores do Internationales Solo-Tanz-Theater Festival – que premia anualmente, na cidade de Stuttgart, na Alemanha, coreógrafos e dançarinos contemporâneos de todo o mundo. Desse modo, aportarão na cidade os vencedores e finalistas das últimas cinco edições da premiação internacional, para duas apresentações nos dias 20 e 21 de abril, às 20h, no palco principal do Teatro Vila Velha.

A parceria entre os diretores artísticos dos três eventos – Cristina Castro, do VIVADANÇA, Marcelo Zamora, do Fórum Internacional de Dança, e Marcelo Santos, do Internationales Solo-Tanz-Theater Festival – consolida pela primeira vez no Brasil este importante intercâmbio para o cenário da dança mundial. “Construir conexões possibilita a circulação, o movimento. Através dessas parcerias estamos inovando enquanto proposta de programação artistica, comunicação e distribuição dos bens culturais na Bahia”, explica Cristina Castro.

Outro ponto fundamental da parceria é a promoção da troca de experiências entre os próprios artistas. Para a diretora Cristina Castro é fundamental que os criadores sejam provocados uns pelos outros. “Assim, se ensina e se aprende muito. Como criador, observamos o mundo, as pessoas, comportamentos, diferenças. Essa é a fonte de alimentação artística”, conclui.

Sobre o Internationales Solo-Tanz-Theater Festival e Marcelo Santos

Criador e diretor artístico do Internationales Solo-Tanz-Theater Festival, Marcelo Santos nasceu em Niterói, Rio de Janeiro. Estudou na escola de dança da INEARTE, dançou no ballett do teatro Guairá, em Curitiba, e foi bailarino solista no Ulmer ballett e no Augsburger ballett. Fundador do Teatro dos Três, criou várias coreografias e dirigiu diversas peças de teatro. Costuma também ser convidado como jurado em eventos de teatro e de dança contemporânea em todo o mundo.

Criado há 15 anos para promover a carreira de jovens artistas da dança, o Internationales Solo-Tanz-Theater Festival é uma competição para escolher anualmente seis solos de dança novos, originais e criativos, que mostrem uma realização incomum. Além de um incentivo em dinheiro, os vencedores viajam pelo mundo com suas apresentações. A proposta do VIVADANÇA é, a partir da relação firmada em 2011, transformar a Bahia em um ponto fixo na agenda do prêmio de Stuttgart.

Confira os espetáculos do Internationales Solo-Tanz-Theater Festival que integrarão a programação do VIVADANÇA Festival internacional este ano
“The gentleness was in her hands” – Helen Simoneau (coreografia) e Stacy Martorana (dança) – Canadá/EUA – Vencedoras do primeiro lugar na categoria Coreografia e do terceiro lugar em dança em 2009.

O solo “A Gentileza Estava nas Mãos Dela” varia entre uma qualidade às vezes automatizada e mecânica e momentos extremamente íntimos. Como que se rendendo a uma memória, a dançarina permite que vislumbres de vulnerabilidade sejam expostos antes de voltar ao entorpecimento. Mudanças e dobras escorrem da bailarina e criam um sentimento de inevitabilidade, um ritual dentro de sua jornada. A coreografia foi apresentada na Áustria, Canadá, França, Grécia, Espanha, Suíça, e viajou por toda a Alemanha e pelos Estados Unidos.

Helen Simoneau é natural de Quebec, mas vive atualmente nos Estados Unidos, e cria com um grupo de dançarinos que têm base tanto em NYC quanto na Carolina do Norte. Ela trabalha também com a Bessie Schönberg Residency, na North Carolina School of the Arts (NCSA), no Eisenhower Dance Ensemble, e nas universidades de Oklahoma, de Wake Forest e de Hollins. Stacy Martorana é graduada pela North Carolina School of the Arts e tem um BFA em Dança Contemporânea. Em agosto de 2006, foi convidada para a Bessie Schönberg Residency, onde executou novas obras de Helen Simoneau e de Charlotte Griffin. Desde então, tem trabalhado com Simoneau em Essen, na Alemanha, e em Nova York. Desde 2008, integra o grupo The Repertory Understudy da Merce Cunningham Dance Company.

“The space between me and myself” – Katja Wachter (coreografia e dança) – Alemanha – Vencedora do terceiro lugar na categoria Coreografia em 2005

Inspirada na Síndrome de Tourette – um distúrbio neurológico que faz com que as pessoas realizem movimentos e impulsos estranhos, como tiques, espasmos, caretas, barulhos, xingamentos e atos compulsivos, além de lhes dar um peculiar e malandro senso de humor -, a peça retrata alguém que está preso entre o seu “eu normal” e socialmente aceito e outro “eu”, que é loucamente impulsivo e foge de qualquer mecanismo de controle. A coreografia explora a lacuna entre estas identidades e o que é considerado “normal” ou “perturbado”.

Katja Wachter estudou Dança e Coreografia na London Contemporary Dance School. Ela interpretou papéis em várias companhias inglesas e alemãs, mas começou muito cedo a trabalhar nos seus próprios projetos coreográficos. Sua primeira coreografia, “I apologize” foi exibida no Danceplatform Germany, em 1994, em Berlim, e sua peça “Almost” foi selecionada como a participante alemã do Bancs D’essaiInternationaux, de 1995, com uma turnê por cinco países. Desde a fundação da sua própria companhia “Selfish Shellfish”, em 1995, em Munique, ela passou a trabalhar em projetos de maior escala para os quais recebeu financiamento do Instituto Cultural de Munique. Suas peças foram apresentadas em festivais e eventos na Europa, Rússia, Canadá, EUA, Coréia, Brasil e México e ela já foi premiada internacionalmente. Criou peças para Malashock Dance & Company, San Diego (1998), Ballet Estatal da Baviera (2000), Companhia de Dança Kipling, Yekaterinburg (2001) e Dança Jigu Theatre, em Seul.

“Heterotopia” – Eldad Ben (coreografia e dança) – Israel – Finalista de 2010

Heterotopia é um conceito em geografia humana elaborado pelo filósofo Michel Foucault para descrever lugares e espaços que funcionam em condições não-hegemônicas. Estes são espaços de alteridade,que não são nem aqui nem lá, mas simultaneamente físicos e mentais, tais como o espaço de um telefonema ou o momento em que você se vê no espelho. É essa relação abordada no solo de Eldad Ben, ao som da Gymnopedie n º 1 e 2, de Erik Satie. Algo como quando colocamos um tigre em uma jaula e vamos vê-lo em um jardim zoológico: há uma música e uma atividade que nos acompanham. O tigre, que está na jaula, ainda permanece como um animal, apesar da realidade encontrada em torno dele.

Eldad Ben Sasson estudou na Escola de Dança Bat Dor. Ele trabalhou com a companhia de dança Vertigo, dirigida por Noa Wertheim e Adi Sha’al, e com o conjunto Batsheva e a companhia de dança Batsheva, ambos dirigidos por Ohad Naharin. Depois de trabalhar com coreógrafos como Mats Ek, Paul Norton, Yoshifumi Inao, Orjan Andersson, Ivo Van Adoce, Michal Getman, Noa Dar e Sharon Eyal, ele hoje é convidado a dar workshops em escolas, academias de dança e companhias em Israel e na Europa.

“My sweet little fur” – Idan Cohen (coreografia) e Ben Dror (dança) – Israel – Vencedores do primeiro lugar na categoria Dança em 2008

Idan Cohen nasceu e cresceu em Israel, no Kibbutz Mizra (comunidade socialista), o que teve um grande efeito em sua vida artística e em seu trabalho. Ele recebeu uma bolsa para estudar teatro e artes naArt Colony, em Negev, Israel, e, posteriormente, foi admitido para participar em um projeto de vídeo-dança da Companhia Batsheva, da bailarina Lara Bersak (França). Em seguida, juntou-se ao mundialmenteconhecido grupo K.C.D.C. (fundado por Yehudit Arnon). Em Junho de 2009, Idan estreou “O Lago dos Cisnes”, apoiado por Tanzplan Dresden, da Alemanha, na 17ª Conferências Anual em Bytom, Polônia, e osolo “Three Swan pieced, OP.1″ no DNA (Dance New Amsterdam), em Nova York.

A sensibilidade psicológica, o grande senso de musicalidade, e a profunda compreensão do contexto cultural tornam o trabalho Cohen uma rara combinação de análise e de compaixão. Em Salvador, ele dará uma oficina sobre sua moderna técnica: um método artístico de trabalho e movimentos virtuosos expressivos. O objetivo da aula é construir a inventividade para criar e desenvolver a capacidade técnica e artística, a versatilidade e a individualidade.

Ran Ben Dror dançou com o mundialmente conhecido K.C.D.C., sob a direção artística de Rami Be’er, a quem tem ajudado em seus projetos fora de Israel. Desde 2006, Ran está trabalhando como dançarino freelancer com coreógrafos diferentes, como Hofesh Shechter; Liat Dror e Nir Ben Gal, Idan Cohen; Maya Levi; Niv Sheinfeld & Laor Oren; Vizenberg Ratz Mimi; Amots Gilat; Ya’aron Smadar. Como bailarino independente, ele ganhou o Yair Shapira – Prêmio Desempenho (2005) e o Prêmio de Cultura do Ministério Israelense da Cultura como intérprete individual (2008). Ran é atualmente conselheiro artístico egerente de ensaio na “Hamama”- laboratório de dança cultural do Centro de Teatro Acco, em Israel, como uma plataforma para coreógrafos independentes. Entre suas criações como coreógrafo estão “On The Wall”, um dueto com Moshe S. Avshalom (Jerusalém, 2008) e o “Dream On”, um solo que estreou no Intimadance Festival, no Tmuna Teatro de Tel Aviv, em 2010.

“Always look at the sea” – Joaquin Sanches – Espanha – Vencedor do primeiro lugar na categoria Coreografia em 2010

Sobreviver é o “mais fácil”, você só tem que continuar a respirar, comer na hora certa e continuar em frente. Viver é o mais difícil. Um dia, sobrevivendo, não é suficiente e uma decisão precisa ser feita -“Always look at the sea” foi o resultado dessa decisão, tomada em outubro de 2009. “Eu me inspirei na respiração e em seu poder de nos fazer sentir vivos constantemente, bem como no sentimento de transformação de qualquer tipo de cansaço ou a tristeza em vivacidade e libertação, que acontece através da dança”, explica Sanches. Para ele, não importa se acreditamos que não temos mais energia, podemos sempre criar mais e quase que indefinidamente. “Eu queria evitar o sentimento geral de vazio que muitas vezes surge após a apresentação e que o público e eu nos sentíssemos revitalizados depois de experimentar este solo. Basicamente, eu só queria me sentir mais vivo”, conclui o artista. Seu interesse pela conexão com o público e por compartilhar seu mundo pessoal e trazer a platéia para perto de si, levou-o a criar este solo, onde as questões da poesia e do texto são tão importantes quanto os movimentos, as sensações do corpo e o sentimento de pura inocência que a dança pode provocar.

Joaquín Sánchez Guerrero, espanhol, é um dançarino e coreógrafo que vive em Barcelona. Graduou-se na Codarts, onde dançou com coreógrafos como Michael Schumacher, Amy Raymond e André Gingras, e criou várias peças, como “Two Fish” e o solo “Breath In, Breath Out”. Recentemente, ele trabalhou como bailarino profissional com Meekers para a produção Hatchling e começa a partir de agosto sua próxima produção teatral como dançarino. Em suas obras, Guerrero apresenta seu mundo pessoal: uma mistura de dança, poesia e curtos diálogos abertos. Ele está preocupado em trazer o público para um lugar melhor, abraçando o presente, os sentidos e sua esperança. Seus trabalhos como coreógrafo foram exibidos no festival Fringe de Edimburgo, no Its Festival, no Sogni Festival, em Gent, e em vários teatros nos Países Baixos e na Espanha. Ele dá workshops por toda a Europa e é atualmente professor no Teatro Lak em Leiden.

Sobre o Fórum Internacional de Dança – São José do Rio Preto e Marcelo Zamora

O Fórum Internacional de Dança – São José do Rio Preto é uma iniciativa destinada a pensar a dança, nos sentidos da formação, criação e produção, junto a grupos e profissionais que desenvolvem um trabalho constante. O objetivo maior do evento é o fortalecimento, a discussão produtiva e intercâmbio de conhecimentos, assumindo responsabilidades através de um planejamento das ações formativas, técnicas e comerciais inerentes à atividade. O Fórum acontece anualmente no mês de abril e se espalha por no mínimo quatro cidades do estado de São Paulo, com no mínimo 12 companhias, sendo a metade delas internacionais.

Marcelo Zamora é coordenador geral e curador do Fórum Internacional de Dança – São José do Rio Preto, presidente da Associação de Amigos da Arte e Mantenedores da Virtual Companhia de Dança, presidente da APRODANÇA – Associação de Profissionais de Dança de São José do Rio Preto e coordenador executivo do FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.


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