BB pretende atuar como banco comercial em Montevidéu e em Punta del Este

O Banco do Brasil já apresentou os pedidos de autorização ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda do Uruguai para transformar o escritório financeiro de Montevidéu em banco comercial. O Banco Patagônia, do qual o BB detém 51% das ações, também solicitou a chancela das autoridades uruguaias para transformar seu instituto financeiro para estrangeiros (IFE), que opera em Punta del Este, em banco comercial.

O vice-presidente Comercial do Banco Patagônia, Carlos Nóbrega Pecego, disse à Agência Brasil que vê “grande potencial de atuação bancária nas duas praças, sempre acreditando na integração regional”. Afinal, já tem mais de 60 empresas brasileiras atuando no país vizinho, e Punta del Este – a 130 quilômetros da capital, Montevidéu – dispõe de grande rede hoteleira e de turismo bem desenvolvido.

Pecego evitou qualquer projeção sobre o tempo que levará para as duas instituições conseguirem autorização de funcionamento. Circulam informações, contudo, desde a semana passada, de que a tramitação normal na autoridade monetária do Uruguai leva de três a quatro meses. Daria tempo, portanto, para o BB começar a operar como banco comercial, em Montevidéu e em Punta del Este, ainda este ano.

Brasil vive situação nova de ter que controlar entrada excessiva de capital estrangeiro, diz secretário

O controle de fluxo de capitais é uma situação nova com a qual o Brasil vai ter que aprender a lidar, afirmou hoje (27/05/2011) o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey. “No Brasil, a gente sempre teve políticas para segurar o capital, não deixá-lo ir embora. E, agora, está com políticas para evitar que entre muito rapidamente [capital externo], em excesso”, disse, ao participar de seminário promovido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a administração de fluxos de capitais em países emergentes.

Cozendey ressaltou que, no entanto, não há intenção de proibir a entrada de dinheiro no país. “É benéfica a entrada [do capital estrangeiro] no Brasil. O objetivo dessas políticas é evitar que [os capitais] tenham um impacto negativo sobre a situação de sustentabilidade na área financeira, principalmente, e também sobre a inflação”, explicou.

Ele acredita que uma parte da pressão da entrada de capital no Brasil tenderá a diminuir quando as políticas expansionistas na Europa forem reduzidas, mas ressaltou que ainda não há um “horizonte claro de quando isso vai acontecer”. Por isso, ele prevê que essa pressão continue no longo prazo.

O secretário de Assuntos Internacionais destacou que não há um número ideal em relação ao fluxo de capitais para o Brasil. Para Cozendey, o saldo registrado em maio, até o último dia 20, de US$ 3,3 bilhões, ainda é excessivo na comparação com o ano passado. Ele lembrou, porém, que não cabe à secretaria pela qual responde elaborar políticas nessa área.

Cozendey observou, ainda, que há uma nova realidade global em termos de economia, há elementos de longo prazo, que é a melhor posição hoje dos países emergentes, a redução da percepção do risco em relação às nações em desenvolvimento e o aumento da percepção de risco em relação a alguns instrumentos de países desenvolvidos. O secretário avaliou que a situação fiscal em alguns países é complicada e previu que continuará assim durante algum tempo. “A Europa é um exemplo”, disse.

O secretário lembrou que o Brasil está conduzindo um grupo de trabalho no âmbito do G20 sobre fluxos de capitais e acrescentou que as conclusões do seminário serão úteis para as discussões que serão travadas daqui para frente. O G20 é um grupo formado por 19 países e a União Européia.

*Com informações da Agência Brasil.


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