Em um texto publicado nesta quarta-feira no jornal Le Monde, Jean Pierre Langellier fala sobre a inércia do governo brasileiro na punição dos crimes cometidos na época da ditadura militar e comenta a promessa da presidente Dilma Rousseff de instauração da Comissão da Verdade, criada no governo Lula.
O título do artigo do jornalista francês, “A Caixa-Preta da Amnésia”, é uma alusão à cobertura do caso do voo AF447, que ganhou grande destaque na imprensa brasileira. Citando diversos presos políticos que desapareceram nos porões da ditadura militar, Langellier questiona a lei da Anistia, de 1979, que absolveu todos os responsáveis (militares, policiais e oposição) pelas torturas cometidas na época do regime. De acordo com dados de um relatório oficial, pelo menos 20 pessoas desapareceram e foram enterradas como indigentes no cemitério de Petrópolis, no Rio de Janeiro. O total de vítimas chega a 475 pessoas.
O Le Monde lembra que o Brasil é o único país da América Latina onde os torturadores do regime continuam impunes. Um site oficial dedicado à repressão nos anos 60 e 70 só foi criado em 2009. O correspondente do jornal francês no Brasil lembra que o ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula, os dois vítimas da ditadura, preferiram ‘poupar’ as forças armadas em nome da reconciliação nacional. O governo Dilma deve virar essa página no Brasil, diz o Le Monde. Dilma, que é ex-militante,foi prisioneira durante três anos e torturada durante 22 dias, lembrou com emoção o destino de seus ex-camaradas durante um comício em 2009.
Recentemente, o ministro da Justiça, Eduardo Martins Cardoso, pediu desculpas, em nome do estado, “àqueles que foram torturados.” O Le Monde, cita, enfim, uma frase da ministra dos direitos humanos, Maria do Rosário : “é um dever constitucional fechar esse parênteses da transição democrática .” Para recuperar, como diz a jornalista Ruth de Aquino, “a caixa-preta no oceano profundo da amnésia nacional.”
*Com informações: RFI | Taíssa Stivanin








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