O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a inflação a partir de maio vai cair, girando mensalmente entre 0,35% e 0,4%. Segundo ele, esses níveis são compatíveis com o centro da meta de inflação, de 4,5% para 2011. Ele disse que é esperada uma inflação ainda mais baixa entre junho e julho.
Tombini, que participa neste momento de audiência pública na Câmara, disse que o governo não abriu mão de medidas macroprudenciais para conter o crédito e o consumo, embora a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) tenha ressaltado um ajuste mais prolongado da taxa de juros.
Medidas macroprudenciais são aquelas adotadas no âmbito do sistema bancário para limitar a demanda de crédito. Em dezembro de 2010, por exemplo, o BC e o Conselho Monetário Nacional divulgaram novas regras para operações de crédito a pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses.
Inflação x crescimento
Durante a audiência, o presidente do BC afirmou que, além do combate à inflação, o governo persegue taxa de crescimento significativa da economia. Segundo ele, de nada vale uma inflação moderada e uma economia que não cresce.
Valorização do Real
Alexandre Tombini também foi questionado sobre as medidas que o governo tem adotado para evitar a supervalorização da moeda brasileira. O deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), por exemplo, defendeu o controle da entrada de capitais estrangeiros para evitar a valorização do Real. Tombini afirmou, porém, que a melhor política é intervir no sistema de câmbio flutuante.
A intervenção é feita por meio da atuação do governo como comprador ou vendedor de moedas, de acordo com as necessidades do mercado. Desde o início do ano, o BC vem adotando uma série de medidas para evitar a queda do dólar.
A audiência com o presidente do Banco Central ocorre no plenário 2. O evento é promovido pela Comissão Mista de Orçamento, por três comissões da Câmara (Finanças e Tributação; Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Fiscalização Financeira e Controle) e duas comissões do Senado (Assuntos Econômicos; e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle).
Presidente do Banco Central rejeita quarentena para capital estrangeiro
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, rejeitou a possibilidade de o governo adotar um sistema de quarentena para controlar a entrada de capital estrangeiro que não vem para o setor produtivo. “Quarentena não está no radar do BC”, disse Tombini, ao participar hoje de audiência pública na Câmara. A declaração foi feita em resposta a questionamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Tombini disse que o BC tem preocupação com o aumento do fluxo de capitais, mas avaliou que o movimento intenso verificado atualmente é temporário, devido aos juros muito baixos praticados pelos países que estão saindo da crise financeira e pelo próprio Japão depois do desastre. “De qualquer forma, as empresas têm de se precaver”, disse.
O presidente do BC lembrou que, em 2008, algumas empresas brasileiras se endividaram porque avaliaram que o dólar ficaria baixo por muito tempo, mas houve desvalorização. “É dinheiro fácil e barato, mas podemos ter problemas na saída [de dólar] se não nos prepararmos.”
Em relação ao aumento dos preços, Tombini disse que as medidas relacionadas a taxa de juros levam de 6 a 9 meses para terem efeito na inflação.
Questionado sobre prazos de financiamento, o presidente do BC disse que já foram implementadas medidas no ano passado. Ele citou o aumento do volume de recursos que os bancos precisam guardar para poderem conceder empréstimos. “ Se preciso, faremos mais nesse sentido”, disse.
A audiência com o presidente do BC foi encerrada. O evento foi promovido pela Comissão Mista de Orçamento, por três comissões da Câmara (Finanças e Tributação; Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Fiscalização Financeira e Controle) e duas comissões do Senado (Assuntos Econômicos; e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle).
*Com informações da Agência Câmara
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