
Um estudo divulgado no mês passado pela Universidade Oxford demonstra uma conexão inequívoca entre leitura e sucesso profissional. Conduzida pelo americano Mark Taylor, do departamento de sociologia, a pesquisa ouviu 17 200 pessoas nascidas em 1970. Comparou as atividades extracurriculares desenvolvidas por elas quando tinham 16 anos com a sua posição hierárquica aos 33. A leitura se revelou o único fator que, de forma consistente, esteve associado à ascensão profissional. Para as mulheres. a chance de ter um cargo mais elevado cresce de 25% para 39% quando lêem; para os homens, de 48% para 58%. Nenhuma outra atividade – cinema, esportes, visitas a museus e galerias – teve impacto significativo. O progresso pode estar associado ao desenvolvimento do vocabulário e ao domínio de conceitos abstratos propiciados pelo hábito da leitura. E vale enfatizar: a pesquisa centrou-se na leitura extracurricular. Ou seja, o livro lido por prazer – e não porque foi exigido em uma disciplina escolar – é o que realmente conta.
Ler é indispensável para aqueles que querem se expressar bem: mostra as diversas possibilidades da língua, aumenta o vocabulário e enriquece o conhecimento. “E a forma mais eficiente de saber e de humanizar-se, colocando-se no papel do outro. Deixa a pessoa mais próxima da civilização e mais distante da barbárie”, diz o escritor Miguel Sanches Neto, exemplo de cidadão que, mesmo num ambiente de pobreza material e cultural, buscou o melhor da literatura. Todas essas benesses, porém, só são adquiridas quando o leitor passa a buscar uma leitura mais seletiva e procura o melhor que os autores clássicos e célebres já produziram ao longo do tempo. “Existem livros que tratam a pessoa como consumidora e acompanhante passiva da história. Esses dispensam a atividade do leitor”, diz Luís Augusto Fischer, professor de literatura brasileira na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor de “Filosofia Mínima – Ler, Escrever, Ensinar, Aprender”. E aí se chega a uma recomendação importante: nos primeiros meses, não importa muito o que a pessoa lê, desde que ela adquira a habilidade essencial de ler apenas por prazer. Tom Wolfe, um dos mais celebrados jornalistas e escritores americanos, leu apenas e tão somente sobre beisebol até os 16 anos de idade – mas leu.
A leitura consolidou-se como uma experiência individual e solitária. E lendo em silêncio, para nós mesmos, que melhor entendemos e apreciamos uma obra – qualquer obra. seja o árduo “Paraíso Perdido”, de John Milton, ou o saboroso “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby. Relembrando a juventude em suas “Confissões”, Santo Agostinho expressa sua surpresa ao ver como, em torno do ano 384, Santo Ambrósio, bispo de Milão, realizava suas leituras: “Quando ele lia, seus olhos perscrutavam a página e seu coração buscava o sentido, mas sua voz ficava em silêncio e sua língua, quieta”
O que hoje entendemos como literatura precede a escrita: a “Ilíada” e a “Odisséia”, os dois grandes épicos gregos compostos em torno de VII a.C. e atribuídos a Homero, surgiram como poemas a ser memorizados e recitados, e não lidos. Seja qual for o meio – a voz, o papel, a tela do leitor eletrônico, a leitura existe para isso: para ligar os homens pelo fio comum de sua experiência.
Cena verídica observada em um dos mais caros shopping centers paulistanos: uma mãe passeia pelos corredores com seus dois filhos, de uns 5 e 8 anos, quando o mais velho exclama, entusiasmado: “Olha, uma livraria! Vamos lá, mamãe?” Ao que ela repreende, seguindo na direção contrária: “Livraria? E o que é que você quer fazer lá?”. Ora, mamãe, por favor. Da próxima vez, deixe que seu filho a puxe pela mão e se perca entre as estantes. E aproveite para fazer o mesmo. Você vai se surpreender com o que encontrará lá e consigo mesma.
*Com informação: Veja Especial
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