Brasil, país do futuro? | Por Petrônio Souza Gonçalves

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O Brasil não está preparado para ser grande. Foi só a economia crescer um pouquinho, que as fissuras de um país não consolidado se abriram aos olhos da nação, com presidenta e ministros torcendo e pedindo por um retroceder da economia, do consumo, da produção; em rede nacional. Isso evidencia o primarismo da conduta de nossos governos, da nossa estrutura de povo e Estado. Somos um grande país, mas não formamos uma grande nação.

Depois da explosão da aviação nacional, que retirou os passageiros dos balcões das rodoviárias e os levou para os guichês das companhias aéreas, constatamos que nosso sistema aeroviário não suporta um feriado sequer. Isso, em escala nacional, em todos os aeroportos, com todas as empresas. Temos passageiros, muitos, mas não temos aeroportos para comportá-los. Temos demanda, mas a oferta não é capaz de suprir a mais básica necessidade de um mercado novo e promissor.

Por outro lado, mas dentro da mesma realidade, foi só espalhar caixas eletrônicos nos comércios para beneficiar uma população que cada vez gasta e consome mais, que assistimos diariamente as explosões de caixas eletrônicos país afora, por quadrilhas especializadas e cientes da eterna falta de impunidade. Acuados pelo medo, pela falta de segurança, que não acompanha o crescimento da economia, assistimos aos comerciantes pedindo pela retirada dos caixas eletrônicos que beneficiavam todo comércio e toda a população. Na hora de crescer, encolhemos, voltamos ao nosso estado natural, quase que fadado ao degrau de baixo, da submissão.

Quando a presidenta Dilma Rousseff definiu o corte no Orçamento no início de seu governo, alegando que era para barrar a inflação, era notório um certo orgulho nessa decisão. A população recebeu vaidosa a comunicação, com uma justificativa equivocada ‘de que estamos crescendo, é preciso frear o consumo’. Ora, esse era o medo natural de crescer, de expandir, de seguir em frente, de enfrentar as dificuldades com criatividade e competência.

Uma postura dessa seria impensada no governo de Juscelino Kubitscheck, aquele que elevou o país a um novo patamar e nos faz saudosos até hoje. Isso tudo, sabendo da realidade nacional que o Brasil vivia em tempos tão difíceis, sem infraestrutura e tendo uma economia basicamente agrária. Tudo isso, o faz ainda maior, uma referência de como se deve administrar, com uma visão diferenciada em relação a todos os outros.

Governar não é apenas equacionar números. Isso, os gerentes sabem fazer e fazem com desenvoltura, só considerando planilhas, ignorando o povo e o momento que toma as ruas e alimenta os sonhos de uma nação. Nós precisamos de uma administração que veja além, que aponte novos caminhos, que tenha um sentido contínuo de crescimento e progresso, de investimentos e estabilidade, de algo que venha e fique, pavimentando o caminho para novos rumos.

Não podemos pensar em um país avançando apenas em determinadas áreas. Isso é ilusório, momentâneo, sazonal e cíclico. Temos que pensar em um país avançado e evoluindo de forma conjunta, formando um todo, um grande e sólido bloco de crescimento e progresso. Uma área se integrando e completando a outra, dando suporto para a máquina funcionar e o país caminhar a passos sólidos. Se a economia cresce, todas as áreas têm que crescer no mesmo ritmo, ao mesmo compasso, garantindo o atendimento direto à população, corrigindo as falhas e assegurando o estabelecer de uma nova realidade nacional.

Esse é o grande diferencial, pois só poderemos evoluir tendo todos os nossos erros sanados, todas as áreas da base da pirâmide sendo atendidas e contempladas, de forma integradora. Essa é a estrutural natural, de onde poderemos saltar e alçar novos voos, mais altos e duradouros.

*Petrônio Souza Gonçalves | petroniosouzag@gmail.com.


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