Defesa agropecuária é estratégica para garantir produção de alimentos saudáveis

Nos próximos dez anos, a necessidade de alimentos no mundo deverá crescer cerca de 20%, e nesse contexto o Brasil terá que aumentar em 40% a produção de grãos. Para tanto, a defesa agropecuária é fator preponderante. Foi o que disse o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, na abertura de lançamento da III Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária. De acordo com o secretário, o Brasil é celeiro do mundo e a Bahia tem grande participação na produção agrícola. “Defesa agropecuária é estratégica para a Bahia, para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

O evento foi realizado no auditório da Seagri, com as presenças do chefe de gabinete do governador, Edmon Lucas; Maria Delian, superintendente federal do Ministério da Agricultura na Bahia; Ênio Marques, representando a Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa; Geraldo Torres, presidente da Sociedade de Medicina Veterinária; Regina Sugayama, secretária da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária; Jonas Dantas, presidente do Crea; Paulo Emílio Torres, diretor geral da Adab, e Jucimara Rodrigues, estes dois últimos coordenadores da Conferência, que vai acontecer em Salvador, de 23 a 27 de abril de 2012, com o tema “Responsabilidade Compartilhada”.

O diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Paulo Emílio Torres, ressaltou que os objetivos principais do evento será difundir o conceito de defesa agropecuária, divulgar seu caráter estratégico, e promover a integração do conhecimento, unindo as áreas científica, social e de produção. “O Brasil tem qualidade produtiva. Por isso a defesa agropecuária precisa ser discutida como questão de soberania nacional”, salientou Paulo Emílio ao fazer uma breve apresentação da conferência.

Ele afirmou que “universalizar conhecimento é associá-lo a políticas públicas, educação sanitária e sustentabilidade. E nesse sentido, a participação da sociedade é fundamental para compartilhar responsabilidades em benefício de um país mais próspero”, destacou o diretor, lembrando que a Adab tem cumprido seu papel social.

Nos últimos dois anos grandes conquistas foram alcançadas pela Seagri, através da Adab, a exemplo da extinção da Zona Tampão, a criação do primeiro Mestrado Profissional em Defesa Agropecuária no Brasil, a implantação do Sisbi e da Central de Laboratórios. “Tudo isso é resultado de um esforço em conjunto, de ações compartilhadas, de comprometimento e dedicação de profissionais, entidades do setor em prol do bem comum”, finalizou o Diretor.

RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA

Para Regina Sugayama, secretária da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), o Brasil possui um sistema complexo de defesa agropecuária, que engloba entes das três esferas administrativas. “Portanto, é crucial que haja uma matriz de responsabilidades muito clara para que o sistema funcione no seu potencial. O tema escolhido para a III Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária não poderia ser mais oportuno pois possibilitará a ampla discussão sobre a atuação do setor privado como parceiro dos órgãos oficiais”, disse ela.

Ela afirma que o Brasil tem um dos agronegócios mais diversificados e pujantes do planeta e uma das melhores estruturas para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para agricultura e pecuária do mundo. “Temos universidades que oferecem cursos reconhecidos internacionalmente em nível de graduação e pós-graduação. Temos um setor privado agressivo e pronto a responder a requisitos de mercados locais e internacionais”. Mas, disse ela, “falta a integração desses atores, coordenação de esforços e pesquisa para desenvolver tecnologias alinhadas às demandas dos órgãos regulatórios e do setor privado”. Ela acrescenta que “falta a academia formar profissionais sintonizados à realidade do nosso agronegócio e conscientizar o cidadão que ele também faz parte do sistema de defesa agropecuária”.


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