Corrupção no Governo Federal | Líder do governo atenua denúncia contra ministro das Cidades e Bernardo e Gleisi Hoffmann negam uso de avião

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), saiu hoje (22) em defesa do ministro das Cidades, Mário Negromonte. Ele é acusado, segundo a edição da revista Veja, de oferecer dinheiro para parlamentares do seu partido em troca de apoio. “A matéria tem uma fragilidade, porque na realidade não existe nenhuma denúncia contra o governo, nem mesmo contra o ministro. A denúncia é muito frágil”.

Sobre a possível convocação do ministro Mário Negromonte para prestar depoimento na Câmara, o líder governista disse que não tem sentido sua convocação para depor. “A denúncia é muito fraca para trazer o ministro [à Casa]. Essa é uma coisa que envolve questão interna do partido. Não disseram de onde viria o dinheiro. Me parece que o assunto não é verídico e não tem base.”

Em relação aos comentários de que o ministro do Turismo, Pedro Novais, está deixando o governo, Vaccarezza disse que não ouviu nenhuma conversa no governo sobre o assunto. “Acho que não tem procedência. Não ouvi nenhuma conversa no governo sobre a saída do ministro.”

Vaccarezza também negou a existência de um racha na base aliada. Segundo o deputado, ela está unida, mas reconheceu que possa haver problemas internos dentro de alguns partidos. “Sempre houve problemas internos nos partidos. Nunca vi o PMDB tão unido como nesses meses de governo. Não existe nenhum problema de governabilidade e nem os problemas internos dos partidos atingem a governabilidade.”

O deputado também informou que o governo não vai interferir na Câmara em favor de algum candidato à vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). “O governo não interferirá na Câmara pela indicação de um candidato ao TCU.”

Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann negam uso de avião de empreiteira

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, divulgou nota hoje (22) negando que tenha utilizado avião de uma empreiteira para viajar pelo país no ano passado, quando era ministro do Planejamento no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A acusação foi feita em reportagem da revista Época desta semana.

De acordo com a reportagem, a mulher de Paulo Bernardo, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, também teria utilizado o mesmo avião, um turboélice King Air, prefixo PR-AJT, durante sua pré-campanha para o Senado. Gleisi também negou as acusações, por meio de nota divulgada pela Casa Civil nesta tarde.

O ministro foi chamado hoje ao Palácio do Planalto para uma reunião com a presidenta Dilma. O encontro dos dois não estava previsto na agenda de Dilma, nem do ministro. Na nota, Paulo Bernardo diz que as acusações são “inverídicas, são de grande irresponsabilidade as ilações que tentam fazer sobre meu comportamento como Ministro de Estado e o uso de aeronaves particulares. Esclareço que jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal”.

O ministro explicou no texto que em 2010, ele participou, nos fins de semana, feriados e férias, da campanha eleitoral no Paraná. “Para isso, utilizávamos aviões fretados pela campanha, o que incluiu aeronaves de várias empresas, que receberam pagamento pelo serviço. Não tenho, porém, condições de lembrar e especificar prefixos e tipos, ou proprietários, dos aviões nos quais voei no período”, disse o ministro.

A nota divulgada por Gleisi também atribui à campanha a utilização do avião. Ela nega que tenha utilizado aviões de particulares ou de empresas no exercício do cargo público e diz que, durante sua campanha para o Senado, utilizou para deslocamento avião fretado, com contrato de aluguel.

De acordo com a reportagem, o avião pertence ao empresário Paulo Francisco Tripoloni, dono da Construtora Sanches Tripoloni. De acordo com a revista, somente no ano passado a empresa recebeu R$ 267 milhões do governo federal e é apontada pelo Tribunal de Contas da União como executora de obras com superfaturamento.

Paulo Bernardo disse na nota que “não existe relação entre o exercício do cargo de Ministro do Planejamento e fatos decorrentes da execução de obras públicas no estado do Paraná”.

O ministro acusou a revista de, nos últimos meses, investir em “insinuações indevidas”, contra ele e sua mulher. “A revista Época fez, nos últimos dois meses, quatro matérias em que cita a mim ou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, com insinuações indevidas, algumas de forma absolutamente gratuita, sem me ouvir”.

Na nota, o ministro diz que “estou e sempre estive à disposição do Congresso Nacional para a prestação de quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

*Com informações: Agência Brasil


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