Demissão do ministro da defesa, Nelso Jobim era uma questão de tempo. O ex-chanceler do governo Lula, Celso Amorim, é o novo ministro

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Demissão de Jobim já era esperada no Congresso

A demissão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, não causou surpresa entre a base aliada e a oposição no Congresso Nacional. Segundo o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), Jobim “feriu” a autoridade da presidenta Dilma Rousseff com declarações recentes e sua saída já era prevista. Já o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), considerou boa a substituição de Jobim por Celso Amorim no Ministério da Defesa.

“Era um desfecho anunciado [a demissão de Jobim]”, disse Humberto Costa. “O ministro deu declarações que causaram constrangimentos à presidenta e à base parlamentar do governo. Em alguns momentos, chegou a ferir a autoridade de Dilma.”

O líder do governo na Câmara preferiu destacar a atuação de Jobim no Executivo e no Judiciário nos últimos anos. “Ele deu grandes contribuições ao país como ministro da Justiça [do governo Fernando Henrique], ministro do Supremo Tribunal Federal [STF] e ministro da Defesa dos governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff”, assinalou Vaccarezza.

Ainda de acordo com o petista, o PMDB não perde espaço no governo com a saída de Jobim. Isso porque, acrescentou, Jobim não era uma indicação do partido.

Os dois parlamentares também aprovaram a indicação de Amorim – ministro das Relações Exteriores no governo Lula – para substituir Jobim. Para Costa, Amorim não deverá ter problemas com as Forças Armadas. “Estamos vivendo tempos novos.” Vaccarezza, por sua vez, elogiou Dilma por ter agido com rapidez e escolhido um nome afinado com a linha geral do governo.”

A oposição considerou normal a saída de Jobim. “Não há possibilidade, em qualquer país desenvolvido, de haver no governo um ministro que não concorde com o projeto do qual ele faz parte”, observou o senador Randolfe Rodrigues (P-SOL-AP), ao se referir às recentes declarações de Jobim à imprensa.

O líder do Democratas, senador Demóstenes Torres (GO), lamentou a saída do ministro. De Goiânia, Demóstenes disse que Jobim “modernizou” o Ministério da Defesa. Já senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) atenuou as declarações feitas por Jobim sobre as ministras de Relações Institucionais, Ideli Salvatii, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Jobim classificou Ideli como “fraca” e disse que Gleisi desconhecia Brasília.

O ex-ministro “tem o direito de falar o que quiser”, avaliou Aloysio. “Tenho enorme admiração pelo ministro Jobim.” O líder tucano, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), também saiu em defesa de Jobim. “Quem defende a Comissão da Verdade só pode falar a verdade.”

Depois de quatro anos, Jobim deixa Ministério da Defesa

Um dos nove ministros a ficar no cargo após Dilma Rousseff assumir a Presidência, Nelson Jobim deixa o Ministério da Defesa depois de quatro anos de gestão. Convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir o então ministro Waldir Pires, Jobim aceitou, em julho de 2007, o desafio de controlar a crise aérea instalada nos aeroportos brasileiros.

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2004 a 2006 e ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1997), Jobim assumiu cobrando pontualidade e segurança das empresas aéreas. Também promoveu mudanças nas direções da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), então alvos de denúncias de ineficiência e corrupção.

Graças a isso, Jobim conseguiu atenuar os problemas no setor aéreo. No entanto, as propostas de construção de um novo aeroporto em São Paulo e o estímulo à maior concorrência na atividade não se concretizaram.

Na área militar, Jobim ganhou prestígio com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Junto com o ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, Jobim elaborou a Estratégia Nacional de Defesa. Aprovada em dezembro de 2008 na forma de decreto presidencial, o plano estabelece ações de médio e longo prazo com o objetivo de modernizar a estrutura nacional de defesa por meio da reorganização das Forças Armadas, da restruturação da indústria nacional de material de defesa e de uma nova filosofia de emprego das Forças Armadas.

A iniciativa sofreu forte impacto devido ao corte no orçamento de 2011. O contingenciamento de mais de R$ 4 bi (26,5% do orçamento do ministério) comprometeu o reaparelhamento das Forças Armadas.

Jobim pede demissão e Celso Amorim assumirá a Defesa

O Palácio do Planalto confirmou, agora há pouco, a saída do ministro da Defesa, Nelson Jobim. O ministro, que estava em Tabatinga (AM), na fronteira do Brasil com a Colômbia, teve que antecipar o retorno a Brasília, chamado pela presidenta Dilma Rousseff. A ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, informou que o ex-chanceler do governo Lula, Celso Amorim, é o novo ministro da Defesa.

A situação de Jobim se deteriorou depois que foram divulgados trechos de uma entrevista dele à revista Piauí, que circula amanhã (5), com críticas ao governo e, em especial, à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Na entrevista, Jobim disse que Ideli é uma ministra “muito fraquinha” e que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, “não conhece Brasília”. Não foi a primeira vez que Jobim causou desconforto à presidenta Dilma. Na semana passada, o ex-ministro revelou que, na última eleição presidencial, votou em José Serra por razões pessoais.

A reunião entre Jobim e Dilma durou menos de cinco minutos, segundo assessoria do Planalto. Em sete meses de governo, Jobim é o terceiro ministro a deixar o governo. O primeiro a sair foi Antonio Palocci, que deixou o cargo em meio a suspeitas de tráfico de influência. Também afastado por suspeita de corrupção, o ministro Alfredo Nascimento saiu do Ministério dos Transportes no mês passado.

Dilma também alterou a articulação política do governo, remanejando o ministro Luiz Sérgio para a Secretaria da Pesca e levou a ministra Ideli para a Secretaria de Relações Institucionais.

Pela manhã, Dilma se reuniu com as ministras Ideli, Gleisi, e Helena, além do ministro Gilberto Carvalho para tratar da demissão de Jobim. A conclusão dessa reunião teria sido pela demissão.

Dilma pediu um exemplar da revista e, somente depois de ler a íntegra da entrevista decidiu ligar para o ministro e avisá-lo sobre a demissão. A pedido de Dilma, Jobim, que estava em Tabatinga (AM), fronteira com a Colômbia, antecipou seu retorno à Brasília.

Nelson Jobim deixou o Ministério da Defesa pouco mais de quatro anos após ter assumido o posto. Ele foi convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a substituir o então ministro Waldir Pires, em julho de 2007, quando o governo enfrentava o caos aéreo.

Filiado ao PMDB, Jobim foi presidente do Supremo Tribunal Federal (2004-2006) e ex-ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1997). Tem prestígio com os militares por sua postura conciliadora e em defesa das tropas.

O ex-ministro foi contrário à criação da Comissão da Verdade, proposta contida no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) que tem o objetivo de investigar os crimes ocorridos durante a ditadura militar. Essa posição ocasionou mal-estar com colegas de governo, mas serviu para reforçar seu prestígio com os militares.


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