Audiência pública debate qualidade de atendimento dos planos de saúde.
O representante da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), José Abel, informou há pouco que os 56 milhões de usuários de planos de saúde realizam, em média, sete consultas médicas por ano. Segundo ele, as empresas não repassam todo o custo ao consumidor. “Se a companhias aéreas têm que trabalhar com risco zero, nós mais ainda! Porém, isso não é factível”, admitiu.
José Abel defendeu ainda que os problemas de saúde aumentaram muito nas últimas décadas por conta dos maus hábitos de vida do brasileiro. “Só para citar um exemplo, hoje temos uma epidemia de obesidade, e a cirurgia bariátrica é muita cara”, afirmou.
Desconfiança
O deputado Dimas Ramalho (PPS-SP), por sua vez, sustentou que os planos de saúde prestam um serviço sem qualidade ao usuário. “Não acredito que 80% dos associados estejam satisfeitos com os planos, conforme afirmou o representante da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin. Na hora de fazer uma consulta é que surgem os problemas, pois leva-se muito tempo para conseguir atendimento. Precisamos melhorar isso”, declarou.
A qualidade de atendimento dos planos de saúde é tema de audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor. O debate prossegue no Plenário 14.
Planos de saúde não questionam pedidos médicos por má-fé, segundo entidade
O representante da Federação Nacional da Saúde (FenaSaúde), José Cechin, afirmou há pouco que não há má-fé quando os planos de saúde interferem nos procedimentos solicitados pelos médicos. “Às vezes, questionamos os especialistas se não seria melhor fazer um tipo de procedimento em detrimento de outro. Nosso objetivo é somente buscar administrar melhor os recursos, que estão lá para servir de subsídio a ser utilizado por todos os usuários’, disse.
José Cechin participa de audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor que discute a qualidade de atendimento dos planos de saúde.
Planos de saúde tratam médicos como “bandidos”, diz debatedor
O representante da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Cid Carvalho, afirmou há pouco que a postura atual dos planos de saúde prejudica os usuários. Ele ressaltou que as empresas dificultam ou impedem a realização de exames. “O contrato exige que se tenha uma pré-autorização. Então, o pedido tramita em várias instâncias da operadora e, tempos depois, vem a resposta: ‘infelizmente, não cobrimos o exame solicitado’”, protestou.
Segundo Carvalho, os planos de saúde tentam colocar os usuários em pé de guerra com os médicos. “De acordo com ele, as empresas “plantam” dúvidas na cabeça dos associados ao dizerem que os pedidos médicos foram feitos de forma incorreta. “Os planos marginalizam os médicos, tratando-os como bandidos. Nós nunca somos chamados para fazer sugestões a nenhum ramo”, declarou.
Cid Carvalho, que é neurocirurgião, exemplificou o problema com uma experiência própria. “Há pouco tempo, eu precisei de 45 dias para conseguir uma autorização de um plano para fazer uma cirurgia em um paciente que tinha hérnia de disco e sofria de dores enormes. Era um caso simples, que não exigia materiais adicionais. Isso é inconcebível”, contou.
O representante da Fenam participa de audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor que discute a qualidade de atendimento dos planos de saúde.
Audiência pública debate qualidade de atendimento dos planos de saúde
A Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) discute hoje a qualidade do atendimento aos usuários de planos de saúde. O deputado Valadares Filho (PSB-SE), que sugeriu a audiência pública, lembra que os planos de saúde lideram o ranking de reclamação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) há mais de dez anos.
“Mesmo com a pressão de clientes e médicos para que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aumente a fiscalização, o problema persiste e as queixas contra os planos de saúde mais que dobraram nos últimos seis meses”, afirmou Valadares Filho.
O deputado cita reportagem do jornal Correio Braziliense, publicada em 14 de maio, segundo a qual o índice oficial que mede o número de reclamações registradas pela ANS passou de 0,29 ponto para 0,62, de dezembro de 2010 a abril deste ano. Só no primeiro bimestre, foram 28.318 registros.
Ainda segundo o jornal, o problema mais comum é a negativa de cobertura, seguido de cláusulas contratuais abusivas e aumento injustificado da mensalidade.
Valores abusivos
O economista e beneficiário de plano de saúde, Guilherme Sousa, 27 anos, considera que os valores das faturas são abusivos. “Os reajustes são muito acima da inflação: em dois anos, meu plano foi de R$ 167 para R$ 199, sem mudança de faixa etária”, afirma.
A ANS explica, em seu site, que os reajustes são feitos na data de aniversário do contrato. Os planos individuais são reajustados com base na média de reajuste dos planos de saúde coletivos. Os números mostram que os aumentos de mensalidade são sempre acima da inflação. Segundo a agência, a inflação e o aumento de tarifa não têm relação direta.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) acusa os planos de não reajustarem os honorários e de interferirem na autonomia dos profissionais. O repasse dos planos aos médicos fica entre R$ 25 e R$ 40, por consulta. Os médicos também acusam os planos de criar empecilhos para os pedidos de exames mais caros.
“Nosso principal objetivo é melhorar a nossa relação com os planos de saúde e buscar um atendimento ético para nossos pacientes”, afirmou o vice-presidente do Conselho, Aloísio Tibiriçá. Depois de os médicos terem feito uma paralisação no dia 7 de abril, contra os baixos valores pagos por consulta, a entidade promete organizar um novo protesto para o dia 21 de setembro.
Operadoras
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que congrega 15 grupos de operadoras de planos de saúde, alega, em nota, que o valor das consultas médicas praticados por afiliadas variou, de 2002 a 2010, entre 83,33% e 116,30% – índices superiores à variação do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) no mesmo período, que foi de 56,68.
A Fenasaúde ainda argumenta que, segundo recente pesquisa realizada pelo DataFolha/IESS, 80% dos beneficiários avaliam positivamente os serviços prestados pelas operadoras.
Foram convidados para o debate de terça:
– o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz Dávila;
– o diretor-presidente da ANS, Maurício Ceschin;
– o representante da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Paulo dos Santos;
– o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas;
– o presidente da Fenasaúde, Márcio Serôa Coriolano.
*Com informações: Agência Câmara










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