Em Salvador, comunidade de Pernambués reclama da falta de qualidade do transporte público

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A empregada doméstica Marina Santos Ribeiro, 49 anos, gasta uma hora e meia para se deslocar de sua casa, no Pernambués, para o trabalho, na Barra. “Tanto para ir como para voltar, o transporte é horrível. Além da demora pra pegar o ônibus no ponto, o congestionamento no caminho é de matar”, reclamava ela durante a realização do projeto “A Cidade e Seu Futuro”, realizado pelo Democratas e a Fundação Liberdade e Cidadania, na manhã deste sábado (03), no final de linha do bairro do Pernambués.

Dona Marina e outras dezenas de moradores participaram do fórum comunitário, que contou com a presença do presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia, do deputado federal ACM Neto (DEM), do estadual Bruno Reis (PRP), dos dirigentes partidários Heraldo Rocha (DEM) e Jorge Khoury, além dos vereadores Jorge Jambeiro (PSDB) e Léo Kret (PR).

Depois da abertura do evento feita pela presidente da Comissão Unida de Pernambués, Luíza Cruz, o deputado ACM Neto falou sobre o objetivo do evento. “O projeto A Cidade e seu Futuro é uma iniciativa do Democratas para discutir com as comunidades o presente e o futuro de Salvador. E o tema de hoje, o transporte, a mobilidade urbana, aflige a todos”.

Além do sistema público de transporte da capital baiana, Neto criticou a demora para colocar o metrô de Salvador em operação. “É lamentável esperar tanto e saber que, mesmo depois de pronto, do jeito que está o metrô não resolverá o problema da cidade”.

Diante do dilema gerado pelo projeto de metrô que, depois de 11 anos de iniciadas as obras, até hoje não entrou em operação e consumiu muitos recursos públicos, que o deputado democrata questionou a proposta atual do governo do estado de implantar o metrô também na Avenida Paralela: “Será que esse investimento, que não se tem nem certeza de que vá acontecer, não seria melhor se fosse feito num projeto que abrangesse a cidade inteira?”

O presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia, cobrou a operação imediata do metrô que já está pronto e, por questões políticas, permanece inativo. “Eles já inviabilizaram o projeto do metrô, quando se meteram na questão e reduziram o tamanho da estrutura prevista  inicialmente de quase 12 quilômetros para seis”.

Presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal de Salvador, o vereador Jorge Jambeiro defendeu que o investimento previsto pelo governo estadual para o metrô na Avenida Paralela, da ordem de R$ 3 bilhões seja aplicado num sistema que atenda toda a cidade, no caso, segundo ele, seria o BRT. “Conversamos com o governador, que nos ouviu e muito educadamente disse que a proposta a ser executada é a do metrô na Paralela”.

A vereadora Léo Kret, por sua vez, criticou d falta de participação popular na decisão do novo modal de transporte para a cidade. Moradora do Pernambués, desde a infância, ela não concordou com a forma que o governador Jaques Wagner conduziu a questão. Aproveitou para divulgar o projeto de lei que apresentou na Câmara Municipal que reduz a metade o valor das passagens de ônibus nos finais de semana e feriados. “Vem dando muito certo no Maranhão e quero ver este projeto aprovado em Salvador”.

Democratas levam discussão de novo metrô para os bairros. Políticos, lideranças comunitárias e especialistas criticam decisão unilateral do governo baiano 

Ao contrário do que fez o governador Jaques Wagner (PT), que decidiu unilateralmente pela construção de um metrô de quase R$3 bilhões na Av. Paralela, o Democratas optou por levar aos bairros de Salvador a discussão sobre a mobilidade urbana na cidade. O tema foi discutido na segunda edição do Fórum Comunitário de Cidadania, realizado neste sábado (2), em Pernambués. “Seria muito mais interessante para a cidade se o governador optasse por outro modal na Paralela, e aplicasse a maior parte dos R$3 bilhões em investimentos na área da mobilidade nos bairros de Salvador”, afirmou o deputado ACM Neto, que vai levar a discussão também para Brasília, em audiência pública a ser agendada na Câmara.

Durante o fórum, associações comunitárias de Pernambués e de outros bairros, a exemplo de Cajazeiras, se manifestaram contra o metrô da Paralela. “É uma obra que vai atender a uma pequena parcela populacional da cidade, apesar do investimento gigantesco. Enquanto isso, Pernambués precisa de obras como a construção de uma via alternativa para a Av. Luis Eduardo Magalhães e de outras pequenas intervenções, como a mudança do seu fim de linha de ônibus”, afirmou o líder comunitário Genilson Geno. “O pior de tudo é que não fomos ouvidos pelo governo. É como se não fizéssemos parte da cidade”, complementou o líder comunitário Samuel Andrade.

Consultor da ONU na América do Sul na área de mobilidade, Carlos Patinga, palestrante do fórum, lamentou a falta de participação das lideranças comunitárias no debate sobre a mobilidade para a Copa do Mundo de 2014. “Essa é uma oportunidade única para Salvador e as outras metrópoles do país. Desde 1988 que a União não investe em mobilidade nas cidades, deixando a tarefa para a prefeitura. Agora, serão investidos R$30 bilhões. E é triste saber que, no caso de Salvador, os bairros e suas lideranças sequer estão sendo ouvidos nesse processo”.

Presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia cobrou o funcionamento do metrô “calça-curta” que há 11 anos está sendo construído em Salvador. “Eles inviabilizaram o projeto do metrô, quando se meteram na questão e reduziram o tamanho da estrutura prevista, que inicialmente era de 12 quilômetros, para seis. Agora, querem que a população acreditem que farão mais 22 quilômetros de metrô”, ironizou. Os vereadores Jorge Jambeiro (PSDB) e Leo Kret (PR), presentes no fórum, também criticaram a escolha de Wagner pelo modal na Paralela.

Documento à cidade – Durante o fórum, o Democratas colheu inúmeras sugestões sobre a mobilidade em Pernambués e na cidade como um todo, entre elas a transferência da rodoviária para outro ponto de Salvador, proposta defendida na campanha de ACM Neto a prefeito em 2008. As sugestões vão fazer parte de um documento que o partido vai entregar à cidade antes das eleições de 2012. “Independentemente de termos candidato ou não a prefeito, vamos entregar um plano de governo para a capital, como fizemos em 2008”, contou ACM Neto.

A primeira edição do fórum aconteceu no bairro da Vasco da Gama, e debateu a questão da empregabilidade. O Democratas pretende fazer o evento, discutindo outros temas de interesse da cidade, em outros bairros.


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