CNJ instala mutirão carcerário em Salvador

Luciano Losekann, juiz.
Luciano Losekann, juiz.

Presos provisórios do sistema prisional baiano terão a chance de ver seus processos revisados pelo mutirão carcerário que foi instalado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ontem (10/10/2011), em Salvador. O mutirão, inaugurado na sala de atividades disponibilizada para o Ministério Público do Estado da Bahia no prédio sede das Turmas Recursais do Tribunal de Justiça, analisará também, até o próximo dia 16 de novembro, todos os processos da execução penal e as condições das unidades prisionais baianas. Para isso, congregará esforços da equipe de trabalho do CNJ, juízes, promotores de Justiça e defensores públicos, que se dedicarão à realização do trabalho conjunto. “Ao final, será apresentado à sociedade um raio-x da justiça criminal e do sistema carcerário do estado”, afirmou o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ, juiz Luciano Losekann.

Segundo Losekann, a intenção do mutirão “não é colocar os presos na rua. É, antes de tudo, assegurar o direito de liberdade àqueles que já o possuem”. O objetivo do CNJ, disse ele, é melhorar o sistema e torná-lo mais ágil para que o Poder Judiciário possa oferecer uma prestação mais regular na seara criminal. De acordo com o juiz, o Conselho Nacional de Justiça é hoje um órgão de gestão que tem por finalidade qualificar a prestação jurisdicional. Mas o CNJ já identificou que há uma situação de pendência com a sociedade brasileira por causa da deficiência na gestão, assinalou ele, frisando que o Conselho está trabalhando para minorar o problema. Uma das desfuncionalidades desse sistema, lamentou Losekann, é o alto número de presos provisórios, o que se constata inclusive na Bahia. É na tarefa conjunta de se ajustar essa realidade ao que se pretende chegar que oito promotores de Justiça atuarão e que o Ministério Público oferecerá o seu apoio, garantiu o chefe de gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, promotor de Justiça Antônio Ferreira Villas Boas, desejando pleno êxito à jornada de trabalho.

Destacando que este mutirão é consequência natural da experiência positiva do primeiro mutirão carcerário realizado pelo CNJ na Bahia em 2010, a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Telma Britto agradeceu à parceria do MP e Defensoria Pública, e desejou um excelente trabalho a todos. Ao lado dessas autoridades e dos desembargadores baianos Gerônimo dos Santos e Lícia Carvalho, do juiz Cláudio Daltro e do chefe de gabinete da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Carlos Sodré, o promotor de Justiça auxiliar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Marcos Centeno, destacou que o objetivo do CNMP no mutirão é verificar eventuais irregularidades nos processos e atuar no sentido de corrigi-las. “O nosso compromisso é com a aplicação da lei”, disse ele, registrando que é preciso deixar claro para a sociedade que “não temos compromisso com a liberação de presos para criação de vagas”.

Na tarde de ontem, o representante do CNMP visitou a Penitenciária Lemos de Brito com a promotora de Justiça da Bahia Mônica Barroso. No complexo que abriga 1.397 internos, eles avaliaram a estrutura administrativa, os módulos de alojamento dos presos e o local de depósito dos alimentos. Acompanhados do diretor da unidade, capitão Márcio de Amorim Macedo, os promotores de Justiça conheceram ainda a estrutura da fábrica de tijolos, onde presos do sistema semi-aberto desenvolvem atividades, e salas de aula onde 400 internos estudam. Diante de tudo que foi visto, a promotora de Justiça Mônica Barroso, que atua no Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública e Defesa Social (Ceosp), registrou que o mutirão é importante, mas que é imprescindível haver uma melhoria no sistema prisional com o aumento do número de vagas. “O que se observou aqui foi uma ausência de investimentos, superlotação e estrutura de abrigamento inadequada”, disse Marcos Centeno, destacando que isso é algo crônico no sistema carcerário brasileiro, sobretudo nos estabelecimentos construídos há mais 10 anos. Para ele, um dos fatos mais preocupantes é o de que muitos estabelecimentos prisionais estão situados dentro de zona urbana, como é o caso da Bahia. Em síntese, disse Centeno, “a mudança precisa ser é de postura dos gestores do sistema prisional, no sentido de haver um forte investimento”. ‘Estamos perto da implosão do sistema”, alertou ele.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading