Em matéria publicada pelo jornal A Tarde na última semana, como parte das homenagens ao centenário do ex-cardeal arcebispo de Salvador, Dom Avelar, o periódico destaca passagens do livro Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento, do deputado federal, jornalista e escritor Emiliano José. No livro, Emiliano José rememora a atuação de Dom Avelar em 1976, período da ditadura militar na Bahia e no Brasil. Na passagem, o escritor fala sobre a visita do então arcebispo aos presos políticos no Quartel de Amaralina, entre eles, o engenheiro Luís Contreiras. “Quando ocorreu oficialmente a prisão, o cardeal não estava em Salvador e enviou o seu vigário-geral, monsenhor Gaspar Sadoc, para visitá-los. Ele próprio, Dom Avelar, quando chegou de viagem, foi visitá-los, o que irritou profundamente os militares”.
Ainda segundo a obra, Contreiras chegou a ser coroinha em Rio das Contas e congregado mariano em Salvador. O engenheiro brincava. “Abri dissidência com Deus e ingressei no PC (Partido Comunista)”. O jornalista relata também que, em suas visitas a Contreiras, Dom Avelar tinha dito que a igreja perdera um grande bispo. O militante, por sua vez, havia revelado que, na juventude, pensou em ingressar no seminário.
Dom Avelar Brandão Vilela, nascido em Visçosa (AL), foi cardeal arcebispo de Salvador entre 1973 e 1986 e completaria 100 anos em 13 de junho de 2012. No entanto, desde a última quinta-feira, 27, a Arquidiocese de Salvador iniciou as homenagens a um dos seus mais carismáticos religiosos. Como parte da programação, até a data do centenário, estão previstas missas, lançamentos de livros e selos comemorativos, além de exposição de fotos e objetos pessoais.
Dom Avelar, que é lembrado como homem de diálogo entre as diferentes religiões, faleceu em dezembro de 1986.
Além de Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento, Partes I, II e III, Emiliano é autor dos livros Narciso no fundo das galés; As asas invisíveis do padre Renzo; Don Renzo Rossi: um prete fiorentino nelle carceri del Brasile; Lamarca: o capitão da guerrilha; Marighella: o inimigo número um da ditadura militar; Imprensa e Poder: ligações perigosas e Jornalismo de campanha e a Constituição de 1988.










Deixe um comentário