Brasil cai em ranking de proteção do clima da ONG alemã Germanwatch

ONGs Germanwatch e CAN Europe divulgam a cada ano lista de 61 países ordenados segundo emissões de gases estufa e efetividade da política climática. Conclusão: nenhum deles faz o suficiente contra o aquecimento global.

A cada ano, em seu Índice de Proteção do Clima, a ONG alemã Germanwatch examina atentamente as políticas climáticas nacionais. Os números atuais foram divulgados nesta terça-feira (06/12) em Durban, durante a Cúpula do Clima da ONU.

O balanço do Índice de Proteção Climática 2012 é bem decepcionante: nenhuma nação do mundo faz o suficiente para restringir o aquecimento global a 2ºC. Assim, as organizações ambientais Germanwatch e Climate Action Network Europe (CAN) deixaram em branco este ano os três primeiros lugares do ranking.

A quarta e, portanto, melhor colocação coube à Suécia. Segundo Wendel Trio, diretor da CAN Europe, o país “se sai relativamente bem, pois apresenta emissões baixas [de CO2 e outros gases-estufa] e uma tendência decrescente”. Em quarto e quinto lugar, encontram-se o Reino Unido e a Alemanha, respectivamente.

Christoph Bals, da Germanwatch, diz que a Alemanha melhorou ligeiramente. Isso se deve às novas diretrizes no setor de energia e à presença “de uma dinâmica bem maior no campo das energias renováveis”, afirma. “Por outro lado, a Alemanha não está no caminho de uma meta de redução que mantenha o marco dos 2ºC”, ressalva.

Para que essa situação mude, os ambientalistas vêm instando os Estados da União Europeia a elevar suas metas de redução para os próximos anos de 20% para 30%.

Altos e baixos

Em contrapartida, o novo país-problema da política climática europeia é a Holanda, que, devido à elevação de suas emissões de CO2, foi rebaixada em 12 colocações no índice. Este considera tanto o volume e a tendência das emissões quanto uma avaliação da política climática nacional.

Também a Croácia, a Polônia e a Turquia caíram no ranking, sobretudo devido a suas más notas no tocante à política. A situação dos Estados Unidos também é ruim. Wendel Trio analisa: “Os EUA encontram-se no 52º lugar, o que é bem perto do fim da lista. Isso não é surpreendente, pois o país continua sendo um dos maiores emissores per capita de gases estufa. Além disso, atualmente não há qualquer instrumento político, no nível federal, para limitar as emissões”.

Por outro lado, a Austrália, país com histórico de grande produtor de gases estufa, conseguiu galgar dez colocações, ocupando atualmente a 48ª. O motivo foi o país ter decretado um novo imposto sobre o carvão mineral, apesar de forte resistência.

Brasil e Índia 

O Brasil, por sua vez, caiu do quarto e melhor lugar no ranking anterior para o sétimo. Isso se deve ao acréscimo das emissões na produção de energia. A partir do próximo ano, a Germanwatch pretende incluir no índice também as emissões decorrentes do deflorestamento. Até o momento isso não ocorrera por falta de dados.

“Se isso acontecer, então o Brasil vai se sair bem pior. Sobretudo devido às atuais dicussões sobre o novo Código Florestal, que teriam consequências negativas sobre as emissões brasileiras”, esclarece Trio.

No entanto a Índia caiu mais ainda do que o Brasil: do 10º para o 23º lugar, devido ao aumento das emissões de CO2. Ainda segundo o diretor da CAN Europe: “Se considerarmos as emissões per capita dos países emergentes, a Índia é a que se sai melhor. Entretanto – assim como nos outros grandes países em desenvolvimento, a tendência das emissões é muito preocupante. Eles acusam índices em rápida ascensão, o que está relacionado ao rápido crescimento econômico”.

Os últimos da lista 

Bem mais negativo do que o da Índia é o desempenho do maior emergente do mundo, a China, 57º lugar entre as 61 nações examinadas. “A China é estranha, um caso especial. Ela implementa algumas políticas muito boas, como o fomento às energias renováveis, mas ainda não vemos resultados. Suas emissões continuam aumentando”, diz Wendel Trio.

O final da lista é ocupado por Arábia Saudita, Cazaquistão e Irã. O diretor da CAN Europe afirma não ser uma surpresa: os países mais “sujos” do mundo não só apresentam altas emissões per capita como “não têm nenhuma norma em vigor para limitar a emissão de gases estufa”.

O apelo dos ambientalistas é inequívoco: os países de todo o mundo precisam se esforçar mais caso ainda se pretenda deter o aquecimento global.

*Com informações: Deutsche Welle


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading