O advogado do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, Marcelo Leonardo, vai entrar com um pedido de soltura na segunda-feira (5), no Tribunal de Justiça da Bahia. O publicitário e mais 14 pessoas foram presas nesta sexta-feira (2), na Operação Terra do Nunca, coordenada pela Polícia Civil da Bahia, que investiga um esquema de grilagem de terras no oeste do estado.
Para Marcelo Leonardo, a prisão do cliente dele é ilegal. “Desde a reforma do Código de Processo Civil, em julho deste ano, a prisão deve ser a última opção tomada pelo juiz”, alega o advogado.Ele estranhou que Marcos Valério não tenha sido procurado em nenhum momento para prestar esclarecimentos sobre a denúncia de grilagem de terras. “Todas as vezes em que ele foi procurado nos últimos seis anos, [Valério] prestou todos os esclarecimentos e, hoje ainda, foi encontrado em casa. Não havia necessidade da prisão preventiva”.
O advogado também disse que o cliente nunca foi ao oeste da Bahia, onde está a cidade de São Desidério, foco do esquema investigado de grilagem de terras. “Se alguém vendeu títulos irregulares, a empresa dele é vítima. É um problema que ele não tinha condições de saber”.
Para Marcelo Leonardo, nem as autoridades tem o mesmo entendimento sobre o caso. “O Ministério Público deu parecer contrário à prisão de Francisco [Marcos Castilho Santos] e Margaretti [Maria de Queiroz Freitas, ex-sócios de Valério na Agência DNA]. Isso demosntra que não há consenso nem na comarca [baiana]”.
Presos, Marcos Valério e ex-sócios prestam depoimento em Salvador sobre grilagem de terras
O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e três publicitários, presos nesta sexta-feira (2), em Belo Horizonte, estão neste momento prestando depoimento na Coordenadoria de Operações Especiais da Polícia Civil da Bahia, em Salvador. Eles são suspeitos de participação em um esquema de grilagem de terras no município de São Desidério, no oeste baiano, a quase 900 quilômetros de Salvador.
Marcos Valério e os ex-sócios Ramon Hollerbach (da agência de publicidade SMP&B), Francisco Marcos Castilho Santos e Margaretti Maria de Queiroz Freitas (da Agência DNA) chegaram à capital baiana por volta das 16h30.
Após os depoimentos, que não têm hora para terminar, os publicitários serão levados ao Instituto Médico-Legal, onde passarão por exame de corpo de delito. Em seguida, serão encaminhados à carceragem da Polinter, no Complexo dos Barris, em Salvador, onde ficarão detidos. A Polícia Civil informou ainda que todas as prisões são preventivas e que só a Justiça pode determinar a soltura dos publicitários.
A polícia baiana ainda aguarda a chegada do empresário Marcus Vinicius Rodrigues de Martins, preso em São Paulo. Mais duas pessoas, cujos nomes não foram divulgados, deveriam ser presas em São Paulo, mas ainda não há confirmação se os mandados foram cumpridos.
Dez pessoas, presas na Bahia, estão detidas em Barreiras, a 26 quilômetros de São Desidério. De acordo com a polícia, a grilagem era feita com o registro de títulos falsos de propriedade de terra, que eram usados na negociação de dívidas contraídas em instituições financeiras.
Não há expectativa de transferência dos presos em Minas e em São Paulo para Barreiras. Isso só irá ocorrer caso o juiz responsável pelo inquérito, Gabriel Moraes Gomes, considere a medida necessária.
PRISÕES
Minas Gerais
Marcos Valério Fernandes de Souza – empresário (publicitário)
Ramon Hollerbach – empresário (publicitário)
Francisco Marcos Castilho Santos – empresário (publicitário)
Margaretti Maria de Queiroz Freitas – empresária (publicitária)
São Paulo
Marcus Vinicius Rodrigues de Martins – empresário
Bahia – Barreiras
Leonardo Monteiro Leite – advogado
Ana Elizabete Vieira Santos – ex-tabeliã
Nadir de Oliveira Tavares Botelho – serventuária da justiça
Nílton Santos de Almeida – empresário e bacharel em Direito
Adroaldo Moreira da Costa – agricultor
Raimundo Varques Gonçalves Lima – empresário
Adílson Francisco de Jesus
Gilkison Botelho dos Anjos, conhecido como “Chiquinho”
João Onivaldo Faccio
Ronaldo da Silva Schitine.
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