Insuportável | Por Alfredo Marinho Müller Falcão

Por mais compreensão que a gente se esforce para ter, por mais que entendamos que existem dificuldades orçamentárias, que existe por trás de cada vendedor ambulante, um pai de família ou uma pessoa que busca de forma honesta encontrar meios de sobrevivência, não dá mais para suportar a desordem do centro da cidade.

Os fins não podem, não devem justificar os meios. É preciso que seja encontrada urgentemente uma solução para a ocupação dos espaços públicos na cidade. A desorganização não acontece apenas no centro, mas em toda cidade. São barracas transformadas em bares em praça pública, onde não se obedece sequer a Lei do Silêncio.

A prefeitura precisa reestabelecer a autoridade do licenciamento desses espaços, perdida há anos pelo descaso do poder público com o setor comercial, segmento que emprega 35.000 pessoas e é o maior contribuinte de ICMS do município, além de uma série de outros tributos. No tempo de menino lembro-me que baleiro em Feira de Santana, circulava com uma placa azul com os números brancos mostrando o licenciamento do poder público. O tempo não é algo que se possa voltar para trás.

Quando calamos diante de um som invasivo e acima dos limites legais, quando não nos indignamos com abordagens policiais autoritárias, celulares altos, buzinas intempestivas, carros nos passeios. Quando não implicamos nas questões essenciais, a exemplo da nossa mobilidade urbana, discutida em gabinetes, mas sem uma ampla explanação das alternativas, abdicamos de nossas responsabilidades e prerrogativas cidadãs, alimentamos e perpetuamos essa situação.

O recente incêndio na Rua Sales Barbosa evidencia a tragédia que esses descasos podem ocasionar. Na hora de encontrar os responsáveis todos se escondem encobertos por falsas justificativas.

Aos comerciantes prejudicados o apoio da CDL. Não perdemos a capacidade de nos indignarmos embora enfraquecidos pela acomodação dos que se julgam autosuficiente que não entendem que é preciso estar juntos, solidários, com os colegas compromissados com as coisas da cidade.

A deterioração da cidade não é apenas física, mas também moral, cultural e comportamental. O processo de decomposição urbana contamina seus habitantes. O cotidiano é desalentador.

Não vejo retorno a uma cidade melhor sem a superação da omissão que insiste em nos deixar alienados do cotidiano da cidade.

Com muito amor, ainda dá tempo. Um por todos, todos por um, superando a acomodação e o desânimo, renovando as consciências e entendendo, nós somos a cidade.

*Alfredo Marinho Müller Falcão, empresário e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Feira de Santana (CDL Feira de Santana).


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