Maragojipe, interior da Bahia, tem folia com influências do Carnaval de Veneza

As elaboradas máscaras e fantasias típicas da folia em fins do século XIX e início do XX são as principais características do Carnaval de Maragojipe, na região do Recôncavo da Bahia

Surpreende a semelhança, mas a folia carnavalesca de Maragojipe, cidade a 150 km de Salvador, pode ter influências do Carnaval de Veneza, na Itália. O município localizado no Recôncavo da Bahia realizou um Grito de Carnaval até a madrugada de ontem, dia 12 (fevereiro, 2012), com apoio das secretarias estaduais de Cultura (SECULT), Turismo e Infra Estrutura do Estado, reunindo milhares de foliões locais, de outros estados e estrangeiros de diversos países.

Segundo especialistas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) que estudaram a manifestação ao longo de dois anos, publicaram livro disponível para download no site http://www.ipac.ba.gov.br e produziram um DVD-documentário, o Carnaval de Maragojipe tem influências das fantasias e máscaras europeias, mais conhecidas através do Carnaval de Veneza, na Itália.

Existem registros do carnaval veneziano desde 1268, mas os estudiosos avaliam que as máscaras transformaram-se em adereço popular somente no século XVII, quando integrantes da nobreza as usavam como disfarce para participar da folia junto ao povo. A prática se tornou comum, e até hoje, no século XXI, encontramos os mascarados em Veneza durante o período de quaresma, como uma das atrações turísticas dessa cidade que fica no nordeste da Itália, região do Vêneto, às margens do Mar Adriático. A festa dura 10 dias, quando acontecem bailes em salões e desfiles nas vias públicas.

Não se pode afirmar que as máscaras e fantasias de Veneza são as mesmas da de Maragojipe, mas a cultura do uso delas e até a inspiração da imagem de alguns personagens usados hoje nesta cidade baiana, com certeza, são uma tradição vinda da Europa, semelhante à veneziana , afirma o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça.

Os trajes de Veneza são mais característicos do século XVIII, com máscaras brancas, roupa de seda negra e chapéu de três pontas. Contudo, personagens parecidos com os da Commedia dell’Arte são vistos no Carnaval de Maragojipe, o que reforça a teoria da semelhança. A Commedia surge como um teatro de rua, mambembe e improvisado, desde o século XVIII, com companhias que se tornaram itinerantes com personagens voláteis e alguns fixos, como o Arlequim, a Colombina, o Pantalone, imagens que eventualmente podemos ver também em Maragojipe , informa Mendonça.

Este ano o Carnaval de Maragojipe ganhou aporte de R$ 270 mil da Secult/IPAC, via o programa Outros Carnavais , criado para apoiar manifestações carnavalescas tradicionais. São apoiadas atrações que conferem a singularidade e tradição da festa, como os blocos de mascarados, charangas e orquestras. O governo estadual também está na folia com a pavimentação das ruas no circuito de trios elétricos, via Seinfra e apoio artístico-turístico da Bahiatursa/Setur.

A folia maragojipana é considerada excepcional ainda por suas heranças afro-indígenas, presentes principalmente nos instrumentos musicais, cantigas e aculturação da festa. Trata-se da única manifestação espontânea nas ruas da Bahia que ainda tem profusão de máscaras e fantasias dos antigos carnavais , diz Mendonça. Em 2009, graças às pesquisas do IPAC, o Estado decretou o Carnaval de Maragojipe como Patrimônio Imaterial. Além da população de 44 mil habitantes, o município recebeu neste domingo (12/02/2012) mais de dois mil visitantes, que ocuparam todas as pousadas e hotéis. A Secult realiza ainda o Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Carnaval Pelourinho, totalizando R$ 13,5 milhões de investimentos neste ano (2012).

Serviços

Localizada cerca de 150 km de Salvador, Maragojipe encontra-se cercada de rios e manguezais que correspondem a ¾ do município -, a maioria ainda intactos. Para se chegar, deve se acessar a BR-324, por 59 km, até o entroncamento da BA-026, depois até Santo Amaro. Segue-se para Cachoeira (BA-026) por mais 38 km, atravessando a ponte D. Pedro II e seguindo mais 23 km até Maragogipe. Ou então, pelo ferry-boat e passando pela mesma estrada. Com clima ameno, tem 44 mil habitantes, culinária baseada em frutos do mar, como camarão, siri, lambreta, sururu, sarnambis e pratos exóticos como bobó de inhame, moqueca de carne seca com jiló e pirão de café com carne de fumeiro. Dentre os locais turísticos, Cachoeirinha e Paraguaçu, cachoeiras de Guimarães e Bule-bule. Com 15 pousadas e hotéis, e mais de 20 restaurantes e bares, o município tem como atender a demanda populacional do carnaval. Mais informações no site http://www.maragojipe.tur.br.


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