MPF da Bahia denúncia médico e enfermeiro por uso de documento falso e falsidade ideológica

Médico contrabandeou um aparelho de depilação a laser de uso profissional de cerca de 90 mil reais

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) ofereceu denúncia contra um médico por descaminho e uso de documento falso e seu irmão, um farmacêutico, por falsidade ideológica. De acordo com a denúncia, somente em 2010, o médico saiu dez vezes do Brasil com destino a Miami, Flórida, nos Estados Unidos, com o propósito de transportar mercadoria descaminhada para o Brasil.

O crime foi descoberto em agosto de 2010, quando a Fiscalização Aduaneira da Receita Federal do Brasil verificou na bagagem do médico a existência de um equipamento de porte médio e formato não convencional, o que levou os auditores a realizar a conferência física da mercadoria. O médico informou que tratava-se apenas de um aparelho de leitura de código de barras, mas constatou-se que, na realidade, era um aparelho de depilação a laser de uso profissional de marca Lumenis, modelo Light Sheer ET, que custava aproximadamente 90 mil reais.

Como não havia comprovação do recolhimento dos tributos derivados da importação do bem e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Receita Federal lavrou termo de retenção. Indignado, o médico impetrou mandado de segurança na tentativa de reaver o aparelho apreendido e obteve liminar favorável. Pouco tempo depois, a liminar foi revogada, o bem retornou para a alfândega, que aplicou a pena de perdimento do aparelho.

Na tentativa de evitar a perda do laser, o médico protocolou requerimento na Alfândega do Porto de Salvador, instruindo-o com nota fiscal que comprovaria que o bem tinha proveniência nacional, além de declaração da Anvisa, de 28.09.2010. De acordo com o procurador da República André Batista, autor da denúncia, além de a declaração da Anvisa não servir, por ter sido emitida após os fatos, a nota fiscal apresentada perante a Receita era ideologicamente falsa e pertencente a uma empresa da qual o médico era sócio e seu irmão, controlador. E mais: o documento foi emitido, em data anterior à constituição da própria empresa a que se referia.

O farmacêutico, irmão do médico, valendo-se do poder que exercia na empresa, dolosamente emitiu documento ideologicamente falso e o entregou a seu irmão a fim de que fizesse uso do documento falsificado perante a Receita Federal. Por conta dos crimes, o MPF pede a condenação do médico por falsidade documental, cuja pena varia de um a cinco anos, e descaminho qualificado por ter sido praticado via transporte aéreo, com pena de dois a dez anos e multa. Já o farmacêutico vai responder por falsidade ideológica, cuja pena também varia de um a cinco anos, e multa.

*Com informação : Ministério Público Federal na Bahia


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da PMSE: Campanha do São João 2026.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading