As contradições entre o discurso de Jaques Wagner na época em que exercia o mandato de deputado federal e seu posicionamento hoje, como governador, na condução e relacionamento com o movimento grevista dos professores da rede estadual de ensino produziram ácidos pronunciamentos da bancada de Oposição na sessão plenária desta quinta-feira (03/04/2012), na Assembleia Legislativa da Bahia. A minoria foi buscar nos anais da Câmara Federal contundentes discursos de Wagner em favor do movimento grevista do magistério baiano, em junho e agosto de 2000, quando fez duras críticas ao governo da época por se recusar a dialogar com a categoria e cortar o pagamento.
O deputado Leur Lomanto (PMDB) foi um dos primeiros a se pronunciar sobre o assunto. O peemedebista mostrou-se perplexo com a mudança de posicionamento do governador. “Wagner passou de combativo defensor do segmento à interlocutor intransigente que não aceita dialogar, corta os salários e ainda retira benefícios dos servidores”, criticou, lendo trechos do discurso onde Wagner se diz estarrecido e envergonhado com o corte nos salários que deixaram milhares de professores a enfrentar o “fantasma da fome”.
O líder da oposição, Paulo Azi (DEM), também referiu-se ao contraditório posicionamento do governador que mudou o tom sindicalista da sua fala para apregoar uma política de “terra arrasada”, queixando-se de falta de recursos. “ Em 2011 o governo recebeu em transferência de recursos do Fundeb, R$ 1,66 bilhão e só aplicou no primeiro bimestre de 2012 19%, quando deveriam ter sido investidos 25% ”, frisou, disparando que o governador se nega a dialogar com os professores por falta de argumento “e por receio de deixar às claras a sua incompetência administrativa”. Os deputados Bruno Reis (PRP) e Elmar Nascimento (PR), também ocuparam a tribuna para questionar a radical mudança de atitude de Wagner. “Em 2000 o governador referia-se à categoria como “queridos professores” e agora adotou a tática da retaliação ao movimento grevista por melhores salários”, ironizou Bruno Reis. “ O nome disso é traição”, finalizou sem rodeios Elmar Nascimento.
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