A Coerência e o Bom Senso Político | Por Tiago Fonseca Nunes

Há determinados episódios em sociedade que perdurarão à posteridade. Outros são esquecidos rapidamente. A foto que sela a união de Lula e Maluf é do tipo de registro que, sem dúvida, entrará para a História. Um marco. Afirmo categoricamente, pois se trata de mais uma composição política que mistura a vítima ao algoz de um passado recente. Entretanto, diante das conivências mútuas, busca-se providencialmente esquecer os ocorridos de outrora. Com o apoio de Maluf, Fernando Haddad, candidato a prefeito de São Paulo, acrescenta 90 segundos ao programa eleitoral em sua luta pragmática pelo poder em São Paulo. Já para Maluf, como recompensa, cargos em esfera federal e outros “benefícios” indiretos. Quem vai rir por último? Afinal, “política é como nuvem” que muda a todo instante, metaforizou Magalhães Pinto.

Semelhante ao que foi visto em São Paulo – termômetro nacional -, por efeito cascata e naturalmente, são notadas alianças jamais imagináveis em quase todas as cidades do Brasil. Existe coerência? Ferrenhos adversários juntam-se ao propósito em comum do hoje: vencer as eleições em outubro. É notório que alianças políticas são inerentes ao exercício da democracia. Contudo, comprova-se diante da conjuntura, que a política ideológica acabou, o impulso revolucionário foi se esmaecendo com o tempo e, hoje, só está dando voltas. Os discursos e ações partidárias se adaptam unicamente aos interesses específicos, seja sob âmbito nacional, estadual ou municipal. Destoam de tal forma que chega a ser tragicômico. Não se preserva a coerência e conduta política. Pelo contrário, estuda minuciosamente cada palavra e cada gesto externado diante do local de ação. Muitas vezes, critica algo em um estado e reverencia a mesma coisa em outro.

Perante incoerências justificáveis, em paralelo, foi aprovado simbolicamente na câmara de deputados o novo PNE – Plano Nacional de Educação – sinalizando para o uso de 10% do PIB. Ainda falta passar pelo senado, o que possivelmente só ocorrerá depois das eleições. Para termos um desenvolvimento econômico social é imprescindível estar sustentado na educação: condição fundamental para uma vida melhor. A sociedade civil e entidades de docentes e discentes lutam há muito tempo para ver essa reivindicação em prática. De acordo com o ministro da Educação, Aloísio Mercadante, será necessário realocar 85 bilhões.

Definitivamente, não importa que haja perda de outras áreas, pois educação tem de ser encarada como prioridade. Na verdade, o que falta é a vontade política. Não adianta buscar exemplos como a Coréia do Sul sem tomar medidas efetivas. Deve-se levar a sério e agir! Mais do que nunca, é necessário não confundir educação com ensino. Educação é global e ensino é mecanismo de manutenção política: é importante para as empreiteiras, alimenta a corrupção. O político brasileiro finge que é a favor da educação investindo em construção de escola. Nenhum candidato dirá que o índice da matemática ou de português melhorou, mas sim de quantas escolas construiu. Está errado! Resta-nos torcer para que prevaleça o bom senso.

*Tiago Fonseca Nunes é estudante (multifacetário) da Universidade Federal da Bahia – estagiário extracurricular do Hospital das Clínicas, inscrito em projeto de pesquisa no CNPq, professor particular nas horas vagas, fiz intercâmbio em Toronto, Canadá.  Cursa francês e, principalmente, um ávido e atento espectador aos fatos que acometem nossa sociedade sob os âmbitos municipal, estadual, nacional e internacional.


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