A erradicação da fome | Por Janguiê Diniz

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito; e Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional .
Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito; e Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional .

A miséria no Brasil e no mundo não é algo ocasional e sim o resultado de um processo histórico no qual não se resolveram questões básicas de desenvolvimento. Quando relacionamos seus efeitos, visualizamos que o mais terrível deles – a fome – não é causado pela escassez na produção de alimentos, mas pela falta de renda das famílias para adquirir os alimentos na quantidade necessária e com a qualidade adequada.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, 854 milhões de pessoas sofrem de fome crônica. Embora os números indiquem avanços na América Latina, lá a fome ainda atinge 49 milhões de pessoas, o que representa 10% da sua população e do Caribe. Se falarmos da África, os dados são assustadores. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), no continente africano, o número de pessoas subnutridas aumentou de 175 milhões para 239 milhões nos últimos 20 anos.

Para combater a fome, não podemos nos limitar às doações, bolsas e caridade vindas da população civil. O Brasil tem as duas condições necessárias para reduzir a fome para números mínimos num curto espaço de tempo. Aqui, ao contrário de países que sofrem com terrenos inférteis e escassez de água, temos condições de solo e climáticas para produção de alimentos suficientes para consumo interno e exportação.

É preciso esclarecer que sem a erradicação da fome não pode haver desenvolvimento sustentável, nem no Brasil e nem em qualquer outro país. E, uma vez que a produção de alimentos terá que aumentar em 60% até 2050 para alimentar uma população mundial de nove bilhões de pessoas, a agricultura continuará a ser tema e a impulsionar as teorias do desenvolvimento sustentável.

É possível erradicar a fome por meio de ações integradas que melhorem a condição de miséria da população. O impasse está na implantação de políticas estruturais para erradicar tal condição, que requer muitos anos para gerar resultados sólidos, já que a falta de políticas de geração de emprego, de saúde e de educação tem um custo elevado para os países – e aqui podemos citar o Brasil.Contudo, combater a fome não deve ser considerado um custo, mas um investimento para o País.

O combate à fome se associa, assim, a necessidade do desenvolvimento econômico. As ações que permitem promover o desenvolvimento, gerar emprego e distribuir renda, contribuem, ao mesmo tempo, para a diminuição da miséria e consequentemente, da fome. O mundo possui os recursos, conhecimentos e os instrumentos necessários para fazer da erradicação da fome uma realidade para todos, assim como acabar com o analfabetismo e com as outras mazelas sociais decorrentes da ausência de políticas públicas direcionadas.

*Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading