Obtendo nota 3 no ENADE, UEFS considera limitada a metodologia aplicada pelo MEC para avaliar a Instituição como inadequada

O último resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), divulgado pelo Ministério da Educação, atribuiu à Universidade Estadual de Feira de Santana um conceito classe 3 (numa pontuação de 1 a 5), correspondente no IGC Contínuo de 209 pontos (numa pontuação de 195 a 295 para a classe 3). Vários cursos avaliados tiveram conceito 2, considerado insatisfatório pelo MEC, mas nenhum curso da Uefs teve suspenso o vestibular.

Nos últimos dias, colaboradores da Administração Central têm se debruçado sobre os próprios relatórios completos do Enade. O resultado do estudo indica que a Uefs continua a oferecer cursos de qualidade, ao contrário do que alguns números do Enade possam apontar.

Segundo a Administração da Uefs, há uma convicção de que a Instituição está formando bons profissionais. Nos exames da OAB, egressos dos cursos de Direito têm tido mais de 90% de aprovação, bem acima da média nacional de aproximadamente 25%. Já no curso de Medicina, mais de 80% dos egressos têm se inserido em residências médicas, sendo aprovados em seleções bastante concorridas. Alunos de Engenharia Civil e vários outros cursos, constantemente têm que antecipar a solenidade de formatura, pois estão se inserindo no mercado de trabalho e aprovados em concursos públicos antes das datas oficiais de formatura.

O professor Evandro do Nascimento, membro da equipe que avalia os resultados apresentados pelo Enade, salienta que é necessário entender como se calcula os índices. O IGC tem na nota do Enade 45% do seu peso. Os outros 55% estão distribuídos em notas dos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) atribuídas pela Capes, na avaliação da infraestrutura do curso e no questionário respondido pelos alunos sobre diversos itens dos cursos.

Rejeição ao Enade

É preciso, também, esclarecer que os alunos não são obrigados a responder à prova do Enade, conforme avalia Nascimento. Como nas universidades, sobretudo nas públicas, o movimento estudantil tem uma rejeição ideológica ao Enade, desde que ele era ainda o antigo “Provão”, em alguns cursos existe um boicote ao exame. Ou seja, os alunos comparecem ao local do exame por obrigação para a concessão do diploma, assinam, mas entregam a prova em branco.

Não só a Uefs, mas com certeza várias instituições, afirma Evandro do Nascimento, têm seus conceitos rebaixados pelo boicote. Isso baixa a nota média do Enade para os cursos, e do ICG das instituições, pois ela tem peso de 45%. Por exemplo, uma pesquisa feita junto aos estudantes, em 2003, constatou que de aproximadamente 40 formandos no curso de Licenciatura em História da Uefs, apenas cinco responderam à prova e todos esses obtiveram o antigo conceito “A”. Na média, porém, o curso ficou com o conceito “E”, o que, argumenta Evandro do Nascimento, “evidentemente não reflete a qualidade do curso, em função dos resultados dos estudantes que responderam à prova”.

O estudo do Relatório do Enade de 2008 mostra que o conhecimento específico dos concluintes de alguns cursos da Uefs avaliados naquele ano, como Engenharia da Computação, Pedagogia, Letras e Matemática, foi maior que a média nacional. Já cursos como História e Geografia, tiveram nota média inferior à média nacional. Neste ano, cerca de 80% dos alunos de História tiveram nota zero. “Outro resultado claro de um boicote em massa dos alunos”, disse Nascimento. “Esses padrões de resultados permeiam todos os relatórios do Enade”.

O reitor José Carlos Barreto pondera que “alguns cursos têm problemas, mas tem muito mais qualidades e formam muito bem profissionais, e cidadãos, acima de tudo”.


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