Uma nova política econômica para o Brasil | Por Janguiê Diniz

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito; e Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional .
Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito; e Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional .

Dilma entrará em seu terceiro ano de mandato com um débito para com seus eleitores, qual seja: ausência de crescimento econômico pujante. Obviamente que a ausência de tal crescimento não traz nenhum demérito para a presidenta, pois ela teve ações meritórias no decorrer dos dois anos de mandato, inclusive no âmbito da economia.

Entretanto, a economia tem impacto em todas as esferas da sociedade, inclusive na escolha do eleitor durante os períodos eleitorais. Recentemente, a revista inglesa The Economist sugeriu a demissão do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, em razão do pífio desempenho da economia brasileira durante o mandato de Dilma. A presidenta reagiu publicamente e não admitiu que revistas estrangeiras digam quais decisões devem ser tomadas em relação ao Brasil, manteve o pulso forte.

A liberdade de imprensa serve também para criticar a economia. A mesma revista que criticou, por várias vezes, elogiou o Brasil. Portanto, assumindo a posição de crítica, a The Economist contribuiu para o debate e não para menosprezar a economia brasileira. O que se deve fazer, neste instante, é avaliar as causas que permitiram o reduzido crescimento econômico do Brasil nos últimos dois anos, com a inflação bem acima da meta, mesmo com o desemprego em baixa recorde.

Desde a era Lula, impostos foram reduzidos em segmentos específicos da nossa economia, em particular, no setor automotivo e de eletrodomésticos através da redução do IPI para veículos e da linha branca de eletros. Esta medida possibilitou a expansão do consumo. Porém, e como consequência do risco ao incentivar a expansão do consumo, as medidas possibilitaram o crescimento de pessoas endividadas. Diante de tal relação, a qual é causal, e não associativa, vislumbro que a economia brasileira poderá continuar em ritmo de crescimento lento.

A lógica é simples: a era Lula foi caracterizada pela inclusão ao consumo, em razão de que o ex-presidente priorizou acertadamente o mercado interno. Dilma foi eleita presidente do Brasil em virtude das suas qualidades, mas também em razão da expansão do consumo incentivada por Lula. Contudo, tal expansão permitiu o endividamento dos indivíduos, o qual ameaça o crescimento robusto da economia brasileira.

As medidas para a expansão do consumo chegaram à exaustão. Isto significa que os efeitos de tais medidas não são mais suficientes para alavancar o crescimento da economia brasileira. Portanto, surge uma nova política econômica, com medidas fiscais visando fortalecer a demanda e extensão da política monetária, a qual não deve relegar os incentivos para a expansão do consumo, mas outras ações precisam ser realizadas com o objetivo de expandir o PIB.

Os resultados do PAC ainda são insatisfatórios. Desconfio que os eleitores brasileiros não saibam apontar nenhuma obra do PAC realizada. Os investimentos privados em parceria com o estado estão sendo realizados, neste instante, exclusivamente em alguns aeroportos. A redução da conta de luz, medida que merece ser aplaudida se pensarmos nos consumidores finais, pode prejudicar os investimentos futuros das empresas. E, por fim, as obras de infraestrutura como a construção de aeroportos, estradas, portos, usinas termelétricas, biocombustível, dentre outros, que só existem nas promessas.

E neste contexto, podemos afirmar que o Brasil também sofre com a crise econômica mundial. Porém, sofre mais ainda com a falta de políticas econômicas que visem o desenvolvimento a longo prazo.

 *Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com


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