MPF investiga construção de arena para shows no centro histórico de Salvador

Espaço destinado a shows e eventos terá capacidade para cinco mil pessoas e será construído nas imediações da Praça Castro Alves, local reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) instaurou, no dia 14 de fevereiro de 2013, inquérito civil para apurar possíveis danos ao patrimônio histórico e cultural, decorrentes da construção de uma arena de shows e eventos nas imediações da Praça Castro Alves, em Salvador (BA). O inquérito foi instaurado a partir de representação de arquitetos e urbanistas, professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O espaço onde será construída a arena é área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Para os arquitetos e urbanistas, o projeto de construção de um equipamento de turismo de massa, com capacidade anunciada para cinco mil pessoas, no local, prejudica o sentido de patrimônio histórico e cultural que ali vem sendo investido desde os anos 30.

De acordo com os professores, é importante que seja feita uma avaliação dos impactos sociais, culturais, ambientais e de vizinhança, que um espaço desse porte pode gerar. A classe considera que a aglomeração de cinco mil pessoas no interior da arena proposta e os fluxos que serão gerados em seu entorno traz implicações altamente negativas para o local, como o prejuízo às condições de acesso ao entorno da Praça Castro Alves, que já é precário. A construção também poderá afetar um dos elementos fundamentais que fazem do centro histórico de Salvador um bem tombado, já que a obra será implantada na faixa verde que demarca a distinção entre cidade baixa e alta, podendo constituir uma ameaça à permanência do mesmo na lista da Unesco.

A fim de apurar os danos ao patrimônio cultural que a obra pode gerar, o MPF, no inquérito civil instaurado, expediu ofícios ao Iphan, à Secretaria de Turismo do Estado da Bahia e à Prefeitura de Salvador requisitando informações sobre o empreendimento.


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