Na última celebração como líder supremo da Igreja Católica, Papa Bento XVI justifica renúncia e pede orações pelo sucessor

Na última audiência geral, Bento XVI se despediu do público e agradeceu a todos que o apoiaram durante seu pontificado. O papa fez um apelo por orações para seu sucessor e os cardeais que participarão do conclave.
Na última audiência geral, Bento XVI se despediu do público e agradeceu a todos que o apoiaram durante seu pontificado. O papa fez um apelo por orações para seu sucessor e os cardeais que participarão do conclave.

Na sua última audiência geral como papa, Bento XVI, de 85 anos, justificou hoje (27/02/2013) a decisão de renunciar, alegando que suas “forças tinham diminuído”, nos últimos meses. Também disse que um papa nunca “está sozinho” e agradeceu a cada um que o apoiou, nos oito anos de pontificado. Segundo Papa Bento XVI (Joseph Aloisius Ratzinger), sua atitude foi consciente e baseada na coragem de tomar “decisões difíceis”. O papa pediu ainda que sejam feitas orações para seu sucessor e os cardeais que participarão do conclave, quando será escolhido o próximo pontífice.

“Dei esse passo em plena consciência da sua gravidade e novidade”, ressaltou o papa, sendo aplaudido, inclusive de pé, por cardeais e bispos, além do público de cerca de 200 mil pessoas, segundo o Vaticano. “Ter coragem de fazer escolhas difíceis é ter sempre dentro de si o bem da Igreja”, acrescentou. O papa deixará o pontificado amanhã (28/02/2012).

A celebração foi acompanhada por fiéis de vários países, inclusive brasileiros que seguravam bandeiras do Brasil. A Praça São Pedro foi cercada por um forte esquema de segurança. Na primeira parte da cerimônia, houve em uma saudação em vários idiomas, inclusive português de Portugal: “Damos graças a Deus orando continuamente”.

Bento XVI foi aplaudido ao pedir orações durante o conclave, quando será escolhido o próximo papa, e pelo seu sucessor.

“Orem pelos cardeais e pelo sucessor de Pedro [aquele que ocupa o pontificado é chamado de papa e sucessor do apóstolo Pedro]”, disse. “Os cardeais [reunidos no conclave] terão uma tarefa relevante.”

Ao mencionar as atribuições do pontificado, Bento XVI destacou que a Igreja Católica Apostólica Romana não está representada apenas em uma pessoa, no papa, mas pertence a Deus. “Sempre soube que o barco da Igreja não é meu, não é nosso, é Dele [de Deus]”, disse.

O papa lembrou que, quando foi eleito, em 19 de abril de 2005, sentiu “um peso sobre os ombros”, mas pediu luz a Deus. “Aceitei e sempre tive a certeza de que Ele me acompanhou. [Na ocasião], disse: ‘Senhor, por que me pedes isso? É um peso grande sobre os meus ombros, aceitarei apesar de todas as minha fraquezas’”, disse Bento XVI, na celebração.

Ao analisar a vida no pontificado, Bento XVI disse que um papa nunca está sozinho. “O papa pertence a todos”, ressaltou. “Um papa não está sozinho no barco de Pedro, mesmo que seja sua primeira responsabilidade. Eu nunca me senti sozinho.”

Bento XVI lembrou que um cardeal, ao ser escolhido papa, perde sua privacidade e disse que, ao renunciar, ele não voltará à vida que mantinha antes do pontificado. “Quando se está empenhado é para sempre o Ministério Petrino [o pontificado]. Quem assume o Ministério Petrino perde a privacidade”, disse. “Recebe-se a vida quando perde-se a vida.”

Ao final, o papa agradeceu a todos que o acompanharam nos últimos oito anos. Ele citou a Igreja Católica Apostólica Romana, os fiéis, a equipe de diplomatas do Vaticano, os responsáveis pela comunicação e os anônimos.

Em meio a uma praça lotada, o papa Bento XVI fez hoje (27/02/2013) sua última audiência geral. Emocionado, ele admitiu que, nos seus quase oito anos de pontificado, viveu “momentos difíceis”.

Bento XVI lembrou que até o apóstolo Pedro, o primeiro papa, passou por momentos difíceis, quando estava em um barco enfrentando o vento e a força das águas. “Tive momentos que não foram fáceis, senti como o apóstolo Pedro em seu barco na Galileia”, disse.

Antes de sua última audiência geral, Bento XVI circulou na Praça São Pedro no papamóvel. Por alguns minutos, de pé, ele esteve próximo ao público e acenou para cerca de 200 mil pessoas, segundo cálculos do Vaticano. Ele segurou nos braços e beijou três crianças. Uma espécie de tablado foi colocada no local para a celebração.

Após a cerimônia, o papa estará presente no ritual conhecido como “beija-mão”. Mas só participarão dessa cerimônia algumas autoridades, como o presidentes da Eslováquia, Ivan Gasparovic, e o ministro-presidente da Baviera, Horst Seehofer – região onde o papa nasceu, na fronteira com a Áustria.

Amanhã (28) será o último dia de Bento XVI, encerrando oito anos de pontificado. Pela manhã, ele fará uma saudação aos cardeais. Ele termina seu pontificado amanhã às 20h (16h de Brasília) e passará a ser chamado de papa emérito. A previsão é que ele deixe o Palácio Apostólico (residência oficial dos papas) de helicóptero em direção a Castel Gandolfo, a residência de verão dos papas.

Bento XVI, 85 anos, anunciou no começo deste mês sua decisão de renunciar. Ele alegou problemas de saúde e a idade avançada. Após sua renúncia será aberto o período para a definição do sucessor. A escolha está nas mãos de 115 cardeais, dos quais cinco são brasileiros, todos com menos de 80 anos. Não há data para o início da eleição.

A estimativa é que a partir de sexta-feira (1º) os cardeais que chegarem a Roma iniciem o período chamado de conversas prévias ao conclave. O Vaticano anunciou que o conclave, previsto para 15 a 20 de março, seja antecipado, pois a escolha do papa ocorrerá, excepcionalmente, com o antecessor vivo, e não morto. A interpretação é que o período de luto seja dispensado. Não há um prazo fixo para a escolha do papa. Segundo especialistas, a duração do período de eleição é imprevisível.

Durante o conclave, os cardeais que participam da eleição deverão ficar hospedados no Vaticano, em uma espécie de hotel conhecido como Domus Sanctae Marthae. O atual cardeal decano é Angelo Sodano, 85 anos, mas assim que o conclave começar, o decano será Giovanni Battista Re, 79 anos – por ter menos de 80 anos e ser o mais velho entre os eleitores.

Entenda os principais pontos sobre a renúncia do Papa 

A renúncia do papa Bento XVI, de 85 anos – que será oficializada amanhã (28) – provocou uma série de perguntas. As mais frequentes se referem ao futuro do papa, como ele se chamará, como vai se vestir e onde vai morar. Pelas indicações do próprio Bento XVI e entrevistas do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, há respostas para essas questões. Joseph Ratzinger será chamado de papa emérito, vestirá roupas simples na cor branca e irá morar em um mosteiro, no Vaticano, ficando isolado do mundo em oração.

As respostas das principais dúvidas:

Qual é o nome que Joseph Ratzinger adotará após o dia 28 de fevereiro de 2013?

Após a renúncia amanhã (28), ele vai receber o título de Sua Santidade Bento XVI, papa emérito, ou Sua Santidade Bento XVI, pontífice romano emérito. A decisão foi anunciada pelo porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

Que roupas e sapatos Bento XVI passará a usar, depois de deixar o pontificado?

Ele usará vestes na cor branca: a túnica tradicional dos religiosos, mais simples e sem manto. Os sapatos vermelhos, usados pelos papas, serão substituídos por marrons.

O que ocorrerá com o anel usado pelo papa no dedo anular da mão direita?

Um dos símbolos do papa, o anel do pescador, será destruído. O anel do pescador é dado ao papa quando ele é coroado. O anel, de ouro, tem o nome do papa e, em alto relevo, o apóstolo Pedro pescando sobre uma barca. Quando o papa morre, o anel é retirado na presença do Colégio dos Cardeais e, em seguida, é quebrado, simbolizando o fim do pontificado.

Onde Joseph Ratzinger passará a morar, após a renúncia?

Ratzinger passará a viver, inicialmente, nos próximos dois meses, em Castel Gandolfo, que é a residência de verão dos papas. Em seguida, ele vai morar no Mosteiro Mater Ecclesia, na região do Vaticano.

O que ocorrerá com os documentos elaborados nos oito anos de Bento XVI como papa?
Alguns documentos, considerados pessoais, serão levados por ele para a nova residência. Outros irão para os arquivos do Vaticano. Não foram esclarecidos quais documentos serão remetidos aos arquivos do Vaticano.

Como será o futuro de Joseph Ratzinger após a renúncia?

Dias depois de anunciar a decisão de renunciar, ele disse que pretende “se retirar completamente da vida pública” e permanecerá  “escondido do mundo”, mas “em oração”. “Mesmo que eu esteja me retirando em oração, sempre estarei perto de todos vocês, mesmo que permaneça escondido do mundo”, disse na ocasião.


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