Deputada Graça Pimenta discursa na AL-BA sobre condições de trabalho comparáveis ao escravismo

Graças Pimenta: "Os operários estavam vivendo em situação degradante. Não dispunham de banheiro e água potável, além de armários para guardar objetos pessoais e alimentos. A cama deles era o chão, onde colocavam os colchões, alguns próximos ao botijão de gás. As instalações elétricas dos alojamentos eram precárias. Foram encontrados fios desencapados que poderiam provocar diversos acidentes, como choques elétricos. Diante do que foi documentado, a saúde e a vida dos trabalhadores estavam em risco. Todos eles foram aliciados em cidades da região, deixaram suas famílias e ainda custearam o deslocamento até Feira de Santana"
Graças Pimenta: “Os operários estavam vivendo em situação degradante. Não dispunham de banheiro e água potável, além de armários para guardar objetos pessoais e alimentos. A cama deles era o chão, onde colocavam os colchões, alguns próximos ao botijão de gás. As instalações elétricas dos alojamentos eram precárias. Foram encontrados fios desencapados que poderiam provocar diversos acidentes, como choques elétricos. Diante do que foi documentado, a saúde e a vida dos trabalhadores estavam em risco. Todos eles foram aliciados em cidades da região, deixaram suas famílias e ainda custearam o deslocamento até Feira de Santana”

Há pouco mais de uma semana estão sendo veiculadas notícias no Estado sobre pessoas encontradas em condições de trabalho comparáveis ao escravismo. Por conta desse problema, o novo Ministro do Trabalho, Manoel Dias, poderá vir à Bahia em breve para conhecer de perto a situação ocasionada pela seca e ajudar a combatê-la. Atenta aos fatos e preocupada com a situação, a deputada estadual Graça Pimenta (PR) discursou sobre o assunto na tribuna da Assembleia Legislativa (AL) nesta terça-feira (26/03/2013).

“Por estarmos no século XXI, imaginamos que a população está mais esclarecida e não se submete e nem faz outras pessoas se submeterem a esse tipo de mazela. Mas não, o problema existe e está sendo recorrente. Sem dúvidas a visita do titular da pasta trabalhista é louvável e também temos mais questões que podem ser analisadas por ele. Na última quarta-feira em Feira de Santana, por exemplo, uma construtora foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por manter 25 trabalhadores de um canteiro de obras em condição análoga à de escravos”, contou a parlamentar.

Em relação ao caso citado por Graça Pimenta em sua fala, o órgão divulgou uma nota onde consta o que os auditores-fiscais do Trabalho da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Feira de Santana (GRTE/Feira de Santana) encontraram no local durante a fiscalização. Segundo as informações divulgadas na imprensa, os dois alojamentos, onde há mais de um mês se encontravam os trabalhadores, estavam infestados por escorpiões, moscas, carrapatos e muriçocas.

No último dia 15, em Salvador, uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e da Polícia Federal (PF) encontrou 17 trabalhadores em situação também comparável ao do trabalho escravo. A empresa autuada contratou os funcionários no Rio de Janeiro e os trouxe até a Bahia para distribuírem listas telefônicas sem salários definidos. 

“O relato de uma das trabalhadoras resgatadas, uma senhora de 58 anos de idade, expõe que ela receberia cerca de R$50,00 pelo trabalho. É triste ver uma pessoa chegar a essa idade e ter se submeter a condições degradantes para ganhar algo que pode ser chamado de gorjeta. Todos deixaram suas famílias no Rio de Janeiro e vieram ser humilhados aqui na Bahia. Desejo que a visita do ministro do Trabalho contemple também essa questão. Acredito que o governo estadual, de alguma forma, pode contribuir para que a Bahia não seja mais cenário de situações como as que relatei aqui hoje”, finalizou Graça Pimenta.

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