Deputado Paulo Azi lembra greve dos professores e diz que há um fosso entre o governo e a categoria

Num discurso emblemático proferido na sessão plenária da Assembleia Legislativa desta quinta-feira, o deputado Paulo Azi, presidente estadual do Democratas, relembrou o histórico movimento grevista dos professores da rede estadual de ensino que completou exatamente hoje, dia 11 de abril, um ano do seu início. A greve, que durou 115 dias, ganhou repercussão nacional e foi considerada a maior da história da educação brasileira.

Azi fez um retrospecto do movimento que reivindicava o cumprimento da lei do piso que estabelecia um reajuste de 22,22%, referendado por acordo assinado com o sindicato da categoria e não honrado pelo governo do estado. O democrata, que apoiou e acompanhou de perto o movimento dos professores, lembrou que desde o início da greve o governo Wagner adotou uma clara postura de enfrentamento, não só judicializando o processo ao pedir a ilegalidade da greve, como também autorizando o corte dos salários, do acesso ao plano de saúde e ao programa Credicesta. “ Tornava-se clara a estratégia do governo de estrangular o movimento, pressionando os professores naquilo que lhe é mais sagrado que é o salário para sustentar sua família, além da proteção e do direito que tem de acesso à saúde” , lembrou.

Azi fez duras críticas ao Projeto de Lei encaminhado à época pelo Executivo, observando que ao invés de conceder e servir como base de negociação, retirava direitos consagrados da categoria. O deputado revelou que a bancada da minoria solicitou audiência ao Tribunal de Justiça para cobrar celeridade na Ação Direta de Inconstitucionalidade ingressada pela oposição há 11 meses, questionando pontos da Lei, a exemplo do que transforma salários em subsídios prejudicando cerca de 6 mil professores que, já este ano, não terão direito ao anuênio, apesar de previsto na Constituição. Segundo Azi, o mandado de segurança da oposição dorme na gaveta de uma desembargadora do TJ. “É inadmissível que um processo como esse, já totalmente instruído, onde todas as partes falaram, inclusive o Ministério Público da Bahia, continue aguardando a boa vontade da desembargadora relatora desse processo, para submetê-lo ao plenário daquele Tribunal”, indignou-se.

Paulo Azi finalizou o pronunciamento lembrando que há 101 dias do novo ano o governo ainda não encaminhou à Assembleia Legislativa a proposta do reajuste salarial dos servidores e nem disse uma palavra sequer com relação ao cumprimento do reajuste determinado pelo governo federal. Para ele, um ano depois, constata-se ainda que existe um enorme fosse entre os educadores e o governo, sem falar que muitos professores já não reconhecem no sindicato o seu legítimo representante. Ele ponderou que o reajuste da lei do piso desse ano é de apenas 7.97% , muito próximo da reposição salarial de 5.84%. “Não é possível que esse governo que fechou o ano com R$ 400 milhões de recursos do FUNDEB, desviados para cobrir o rombo de suas despesas correntes, não tenha o mínimo de sensibilidade e cumpra o que determina a lei do piso”, disparou sem meio tom.


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