Governo da Bahia e bancos realizam mutirão para mais de 2 mil produtores renegociarem suas dívidas

Eduardo Salles participa do mutirão.
Eduardo Salles participa do mutirão.

Produtor de milho, feijão, mamona e mandioca, Manoel Dias Santos diz que dentro de mais 60 dias deverá quitar sua dívida com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), graças ao mutirão de renegociação de dívidas realizado durante toda quarta-feira (08/05/2013), no Centro Cultural Pedro Edson, no município de Ourolândia para tentar resolver a inadimplência dos mais de dois mil agricultores da região Norte da Bahia, que compreende Umburanas, Várzea Nova, Mirangaba e Ourolândia. A ação é uma iniciativa da Secretaria da Agricultura (Seagri), em parceria com o BNB, Banco do Brasil (BB) e as prefeituras municipais destes municípios.

O secretário estadual da Agricultura, engenheiro Agrônomo Eduardo Salles, destacou que o governo federal através das instituições financeiras, estão dando a oportunidade para os produtores quitarem suas dívidas, pois entendem que a inadimplência não é culpa deles, mas de uma série de fatores e intempéries que aconteceram nos últimos anos. “Precisamos destravar o crédito na região e esse é o momento. Eles não estão endividados porque querem e, em função disso, a presidente Dilma Rousseff foi sensível a situação e deu essa possibilidade de renegociar as dívidas, concedendo descontos de até 85%, com carência de até três anos e sete anos para pagar”, enfatizou.

Salles destacou as ações que estão sendo tomadas pelo governo do Estado em parceria com a Conab e prefeituras com o objetivo de minimizar os efeitos da seca, como por exemplo, a instalação de 15 novos armazéns para venda do milho balcão subsidiado na Bahia. Todos deverão estar funcionando junto com os outros cinco da própria Conab a partir da chegada do milho nestes próximos dias.

Durante a sua passagem em Jacobina, pelo distrito de Lage do  Batata, o secretário parou para visitar o galpão que estocará quatro mil toneladas de milho que será vendido para criadores de toda a região.

 O secretário Eduardo Salles ainda informou as ações que o governo tem tomado em relação as questões de convivência com a seca. Citou a construção das barragens subterrâneas, instalações de poços para a dessedentação animal, e a construção de uma biofóbica para a produção de mudas de palmas para os agricultores, entre outras.

Mutirões 

O gerente executivo do Banco do Nordeste na Bahia, José Menezes Lima Júnior, acredita que o crédito voltará a movimentar a economia da região, que é bastante carente. “A notícia que trazemos para os produtores não é de anistiar as dívidas, pois não temos leis que autorizem esse procedimento, mas outros recursos constitucionais disponíveis possibilitam a renegociação das dívidas com condições diferenciadas e totalmente vantajosas, que chegam até 85% de desconto nas dívidas, uma oportunidade para que os efeitos da estiagem sejam minimizados, pois a partir do comprometimento com a dívida, o produtor poderá adquirir crédito emergencial novamente”, explicou.

De acordo com José Menezes, o Banco do Nordeste vai mapear as regiões com maior necessidade e mobilizar associações, movimentos sociais, em parceria com o governo estadual, para que haja um processo de renegociação mais célere, uma vez que o crédito estiagem estará disponível para até o fim deste ano.

A prefeita da cidade, Ionara Freire, considera o mutirão uma saída para que os pequenos produtores possam se restabelecer. “Em Ourolândia a economia está baseada na extração de mármore e agricultura, mas o mármore tem limite para empregar e só a agricultura gera cerca de 60 % dos empregos do nosso município. Por isso os produtores precisam desse incentivo para continuar trabalhando e empregando”, destacou.

Estiveram presentes na abertura do mutirão, o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Cícero Monteiro; vereadores de Mirangaba, Umburanas e Ourolândia; o prefeito de Mirangaba, Dirceu de Alberto; presidentes de cooperativas  locais, o gerente do Banco do Brasil de Jacobina, Marcelo Carneiro; representante da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, Luciano Galo; representante da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) de Jacobina, Paulo Sérgio; da secretaria de Agricultura de Ourolândia, Ana Lúcia; representante da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Antônio Bergman e representantes de diversos sindicatos locais.

Matadouro de Morro do Chapéu 

Antes de dirigir-se ao local do mutirão, o secretário Eduardo Salles, com o secretário de Desenvolvimento Urbano, Cícero Monteiro, visitaram a área onde será construído o matadouro de Morro do Chapéu. Na semana passada, eles tiveram uma conversa decisiva na Caixa Econômica Federal, juntamente com os gestores da Sucab, empresa vinculada a Sedur, que resultou na publicação, nesta terça-feira (7), do chamamento público para a licitação da empresa que deverá construir a obra.

Segundo Salles, o frigorífico já havia sido licitado anteriormente, mas a empresa vencedora se negou a realizar a construção, o que atrasou a obra. “Desta vez detalhamos todas as especificações do projeto executivo, para que não corra o risco de uma nova empresa ganhar a licitação e não querer fazer a obra. O frigorífico vai estruturar não só a questão da carne saudável para a população de Morro do Chapéu, mas de toda a região”, disse.

Produção de uvas

O secretário Eduardo Salles aproveitou para visitar com o secretário Cícero Monteiro, a área experimental com as diversas variedades de uvas, desde a Cabernet Sauvignon, até a Pinot Noir, implantadas na pareceria Seagri/EBDA com a Associação dos Produtores Rurais de Morro do Chapéu. No local, também será realizado experimento com frutas de clima temperado, como ameixa, maçã, pêra, pêssego e oliveira.


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