Pela Ética se alcança o coração do povo | Por Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes é Jurista e professor, além de Fundador da Rede de Ensino LFG.
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Luiz Flávio Gomes é Jurista e professor, além de Fundador da Rede de Ensino LFG.

Os protestos de junho revelaram que há, na sociedade brasileira, um profundo mal-estar e, em consequência, um forte desejo de mudança. Aliás, o mesmo desejo de mudança que levou o PT ao poder em 2002 (apesar de todos os medos que ele representava para a sociedade financista conservadora) passou a constituir o combustível dos protestos de junho. Nos últimos vinte anos, o PSDB (dissidente do PMDB emporcalhado do Quércia) assim como o PT somente conquistaram o poder porque nasceram como partidos discursivamente éticos. É por meio da ética que se alcança o coração e a mente do povo, porque ela gera confiança.

Do que os políticos estão esquecendo? Das lições do sociólogo espanhol Manuel Castells (Comunicação e Poder), no sentido de que a persuasão na política é o que existe de mais fundamental. Todo poder fundado somente na coação é débil. A manipulação das mentes é mais eficaz que massacrar os corpos das pessoas. É na nossa mente que está parte do poder. Nossa mente se submete à comunicação, ou seja, ela recebe sinais, que ativam nossas emoções e decisões. O poder não existe sem comunicação. Ele se constrói no espaço da comunicação. Os meios de comunicação não possuem o poder, sim, são meios da conquista e do exercício do poder.

A conquista do poder pelos espíritos (pelas mentes) é mais importante que pela vitória das armas (Gramsci). O PT e PSDB cresceram com a promessa de que fariam da ética e da dignidade humana suas bases de sustentação. Sem elas a esperança se esvanece. Isso ficou mais do que evidente nos protestos de junho, que devem ser retomados em setembro, caso os políticos prossigam dando suas costas para a voz das ruas. Ética, dignidade e esperança possuem muito mais poder de manipulação das mentes do que a pragmaticidade dos governos.

A Câmara dos Deputados criou o portal e-Democracia para discutir e receber sugestões da sociedade sobre a reforma política e eleitoral. Mas o que necessitamos é de muito mais que isso, é de uma democracia direta digital, que tenha como suporte uma plataforma de sustentação para o Fórum Cidadão, legalizado, que possibilite discutir, deliberar e vigiar o poder público (nos seus atos e contratos). Os políticos analógicos devem entender que o diálogo com a sociedade somente será profícuo quando os cidadãos forem reconhecidos em sua autonomia.

Mais que isso: no mundo desencantado que vivemos (mas nem por isso desesperançado), o que atrai a confiança dos cidadãos não é o acerto do programa eleitoral anunciado, os discursos, as promessas, sim, o netcidadão quer discutir os programas de governo assim como as reformas políticas e eleitorais, dentro de um contexto de transparência e de diálogo profícuo. Ele quer deliberar junto (assumindo suas responsabilidades) e, sobretudo, vigiar o político ou o agente público, incluindo-se sua personalidade, porque já não importa saber o que ele faz, senão especialmente quem ele é (no exercício da função pública).

Aqueles que somente pensam nos interesses pessoais ou partidários, ou na manutenção do poder a todo custo, não se encaixam no novo figurino da democracia digital.

*Luiz Flávio Gomes, jurista e coeditor do portal atualidades do direito.

luizflaviogomes@atualidadesdodireito.com.br


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