Caminhoneiros querem políticas de combate a roubo de carga, piso mínimo de frete e espaços na estrada para descanso

Em sentido anti-horário: Bastos (de azul), Luiz Fernando, Pantalhão, Guterra e Nobre discutem detalhes sobre o seminário (Foto: Luiz Carvalho.
Em sentido anti-horário: Bastos (de azul), Luiz Fernando, Pantalhão, Guterra e Nobre discutem detalhes sobre o seminário (Foto: Luiz Carvalho.
Em sentido anti-horário: Bastos (de azul), Luiz Fernando, Pantalhão, Guterra e Nobre discutem detalhes sobre o seminário (Foto: Luiz Carvalho.
Em sentido anti-horário: Bastos (de azul), Luiz Fernando, Pantalhão, Guterra e Nobre discutem detalhes sobre o seminário (Foto: Luiz Carvalho.

No dia 22 de novembro de 2013, em São Paulo, a CUT reunirá representantes dos trabalhadores, do governo e empresários do segmento de transporte para discutir os obstáculos e perspectivas para o setor.

O “I Seminário Nacional Transporte de Carga: desafios para o desenvolvimento e para condições de trabalho dignas” acontecerá no auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo e debaterá temas como o investimento em infraestrutura, regulação do setor e modernização da frota.

Em encontro preparatório nesta segunda-feira (04/11/2013), na sede da CUT, os trabalhadores definiram as pautas prioritárias da atividade e destacaram que a cobrança por políticas públicas de combate a roubo de carga, a definição de um piso mínimo para o frete e a construção de espaços onde os caminhoneiros possam descansar não podem faltar nos debates.

Secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, destacou que a melhoria no transporte é fundamental para o desenvolvimento do país, mas ressaltou que não é possível aprimorar o segmento sem pensar em que está atrás do volante.

“Há 30 anos lutamos em defesa da organização dos trabalhadores por melhores condições e queremos fazer o mesmo em relação aos caminhoneiros. Aumentar a segurança na estrada, combater a pressão das empresas para o cumprimento dos prazos de entrega e oferecer condições dignas para que o motorista possa comprar seu veículos dependem da capacidade de mobilização da categoria e é nisso que podemos  contribuir”, afirmou.

Secretário adjunto de Saúde do Trabalhador da Central, Eduardo Guterra, acrescentou que o encontro definirá um documento que servirá de referência para a luta da categoria. “Vamos apontar as dificuldade do setor, mas também propostas de investimento e indicar qual deve ser o papel do Estado para que tenhamos um guia que se espalhe por todo o Brasil como uma agenda da CUT construída com os trabalhadores em transporte”, explicou.

Ponto a ponto – Presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga do Vale do Paraíba, Everaldo Bastos, apontou a necessidade de estabelecer um piso mínimo de frete para garantir condições dignas aos trabalhadores. “O caminhoneiro trabalha abaixo do valor técnico que deve: gasta R$ 2,10 por quilometro rodado, mas ganha R$ 1,90. Isso só se resolverá quando houver um piso nacional para evitar excesso de trabalho, de peso da carga e até mesmo o suão de drogas que, por vezes, ocorre para ajudar a cumprir jornadas exaustivas”, falou.

Para ele, outro problema é a falta de segurança na estrada. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, sete mil cargas foram roubadas apenas no Estado, gerando um prejuízo de  R$ 360 milhões. “Isso faz com que muitos caminhoneiros deixem a profissão por conta do risco. A própria ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) estima que faltem 10 mil caminhoneiros no país.”

Outro ponto citado pelos trabalhadores foi a Lei 12.619/09, que determina ao motorista um intervalo de 30 minutos de descanso a cada quatro horas e também entre jornadas de 11 horas, que é boa, mas exige estrutura nas estradas para que seja cumprida. “Não há lugar onde o motorista possa parar. Com as excessivas jornadas de trabalho, acaba apresentando hipertensão e problemas graves na coluna por trabalhar muito tempo na mesma posição”, afirmou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Guarulhos e Região (Sinditac), Luiz Fernando Galvão.

Bastos acrescenta que os caminhoneiros são obrigados a recorrer aos postos de combustíveis, onde só podem parar se gastarem. “Ou você abastece 200 litros ou paga R$ 50. Fora que não há segurança na maior parte dos lugares, você fica exposto a roubos e ainda falta infraestrutura de saúde e higiene para atender o trabalhador.”

De acordo com o presidente da Associação Nacional de Caminhoneiros, Benedito Pantalhão, o principal resultado desse encontro será a organização do setor, um benefício também para o consumidor final. “Isso fará com que a mercadoria que chega na casa do consumidor diminua o preço, porque teremos menos atravessadores e o preço do frete tende a melhorar, tanto para o trabalhador, quanto para o embarcador, que é quem paga. Com isso, cai também o preço do que chega para o comprador final.”

Serviço:

I Seminário Nacional Transporte de Carga: desafios para o desenvolvimento e para condições de trabalho dignas

Dia 22 de novembro, das 9h às 17h

Local: Auditório do Sindicato dos Químicos do Estado de São Paulo

Rua Tamandaré, 348 – Liberdade – São Paulo/SP

 *Por Luiz Carvalho | CUT.


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