Operação Lava Jato: Ex-gerente da Petrobras Pedro José Barusco Filho disse que começou receber propina da SBM em 1997, durante governo de FHC

Pedro José Barusco Filho e Renato Duque. O ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco afirmou em sua delação premiada que o ex-diretor de Serviço Renato Duque - acusado de arrecadar propina para o PT no esquema de corrupção na estatal petrolífera desbaratado pela Operação Lava Jato - pediu ao representante da multinacional SBM Julio Faerman a quantia de US$ 300 mil a título de "reforço de campanha durante as eleições de 2010".
Pedro José Barusco Filho e Renato Duque. O ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco afirmou em sua delação premiada que o ex-diretor de Serviço Renato Duque - acusado de arrecadar propina para o PT no esquema de corrupção na estatal petrolífera desbaratado pela Operação Lava Jato - pediu ao representante da multinacional SBM Julio Faerman a quantia de US$ 300 mil a título de "reforço de campanha durante as eleições de 2010".

O ex-gerente da Petrobras Pedro José Barusco Filho detalhou em depoimento de delação premiada na Operação Lava Jato como começou a cobrar propina de empresas que pretendiam firmar contratos com a Petrobras. Barusco disse que começou a receber os pagamentos indevidos em 1997 ou 1998 da empresa holandesa SBM, quando ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Inslações, durante governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Aos investigadores, Barusco relatou a sistemátiva da cobrança de propina. Ele disse que tinha relação próxima com Júlio Faerman, representante da SBM, e a iniciativa de fazer os negócios com cobrança de propina partiu de ambas as partes.

Conforme o depoimento, os pagamentos variavam de acordo com o valor do contrato, ficando entre U$ 25 milhões e U$ 50 milhões. Entre as obras que tiveram pagamentos ilegais, o ex-diretor citou um acordo, firmado em 1997 ou 1998, para o fornecimento de um navio para a Transpetro.

As declarações de Barusco foram divulgadas após decisão do juiz federal Sérgio Moro, que retirou o sigilo das investigações da nona fase da Operação Lava Jato, iniciada hoje (05/02/2015).

O Planalto e a Operação Lava Jato

Em depoimento à Polícia Federal, Barusco fez questão de destacar a relação de proximidade entre Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras indicado pelo ex-ministro Chefe da Casa Civil do governo Lula José Dirceu, e João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Nas palavras de Barusco, os dois mantinham “um contato muito forte”. Segundo o ex-gerente, Duque e o tesoureiro petista costumavam se encontrar no Hotel Windsor, no Rio, e no Meliá, em São Paulo. Os encontros tinham finalidade clara: trocar informações sobre o andamento de contratos, projetos e licitações da Petrobras. O saldo dos desvios na estatal para abastecer o PT teria alcançado até 200 milhões de dólares.

O propinoduto

Segundo Barusco, na Petrobras recebiam a propina, além dele próprio, Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e Roberto Mendonça, gerente de Engenharia. Na Sete Brasil, o dinheiro era pago ao presidente, João Carlos de Medeiros Ferraz, e ao diretor Eduardo Musa, ex-diretor da OGX e ex-gerente da Petrobras.

Tesoureiro do PT

Pedro Barusco, afirmou à Justiça, em acordo de delação premiada, que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, recebeu de 150 milhões a 200 milhões de dólares em propina de 2003 a 2013, por meio de desvios e fraudes em contratos com a Petrobras.

O pagamento a João Vaccari Neto, conhecido nos arquivos de Barusco como “mochila”, por sempre portar uma mochila nas costas, também era feito por empresas nacionais: o Estaleiro Atlântico Sul, que desembolsou alguns milhões para o tesoureiro, tem como controladores a Camargo Correa e a Queiroz Galvão, também investigadas no âmbito da Lava Jato.

A documentação apresentada por Barusco à Polícia Federal mostra que o tesoureiro recebeu até março de 2013 pelo menos 4,53 milhões de dólares da Keppel Fels e da Jurong por meio de sua offshore que leva o sugestivo nome de “Drenos”. Barusco não soube detalhar como era feito exatamente o pagamento a Vaccari porque, segundo ele, as tratativas eram feitas diretamente entre o tesoureiro petista e os operadores do esquema nas próprias multinacionais: Guilherme Esteves de Jesus na Jurong e Zwi Skornicki na Keppel.

Sete Brasil e Estaleiros

Até julho de 2013, Barusco era o diretor operacional da Sete – e, na função, negociou a contratação dos estaleiros  para construir as sondas. Era parte da estratégia petista de impulsionar a indústria naval brasileira que pelo menos 55% dos equipamentos de perfuração fossem construídos no Brasil – determinação a que se deu o nome de política de conteúdo nacional. Dos cinco estaleiros escolhidos, três são de empreiteiras que hoje tem executivos presos na Lava Jato. Odebrecht, UTC e OAS estão no Enseada, na Bahia. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão são as principais acionistas do Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco.  O terceiro estaleiro nacional é o Rio Grande, em Porto Alegre, construído pela Engevix. Completam a lista os estaleiros da Jurong e o Brasfels, cujas donas são multinacionais sediadas em Singapura. De acordo com a delação de Barusco, todos pagaram propina de 1% sobre os contratos já fechados, que somam 22 bilhões de dólares. Além do próprio Barusco, o presidente da empresa, João Carlos Ferraz, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, receberam as propinas, em contas no exterior.

*Com informações da Agência Brasil e Revista Veja.

Renato Duque, Graça Foster e José Sérgio Gabrielli fizeram parte da diretoria executiva da Petrobras e estão sendo investigados pela Operação Lava Jato.
Renato Duque, Graça Foster e José Sérgio Gabrielli fizeram parte da diretoria executiva da Petrobras e estão sendo investigados pela Operação Lava Jato.

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