Renan adota política velhaca | Por Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil.
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Luiz Flávio Gomes, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil.

De acordo com o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), “Há um processo de velha política [praticada pelo Renan], que o Doutor Ulysses Guimarães chamava de velhaca — disse Luiz Henrique”. A velhacaria na política brasileira não é nova; com toda certeza esse fenômeno faz parte do processo de aceleração destrutiva (PAD) do Brasil.

Pelo fim da reeleição nos cargos executivos e de senador. Envolvido em incontáveis escândalos (como o da Mendes Júnior que pagava pensão para um dos seus filhos e ex-companheira), não poderia ser “melhor” (para o crime organizado P6 instalado em Brasília: Parceria Público/Privada para a Pilhagem do Patrimônio Público) a escolha do senador Renan Calheiros para presidir o Senado pela quarta vez. Trata-se de um legítimo representante da classe política profissional, logo, profundo conhecedor dos métodos escusos de financiamento das campanhas políticas. Com tanto dinheiro que é dado por algumas lideranças empresariais nacionais, que “compram” com seu poder econômico os políticos (plutocracia), não há como perder uma eleição sequer. Com a redemocratização de 1985, nós não conseguimos a almejada democracia cidadã. Só chegamos a uma democracia eleitoral (escolha dos representantes pelo voto), mas extremamente defeituosa (viciada), sobretudo pela interferência do dinheiro no processo eleitoral. Quanto mais o político se profissionaliza, mais a política vira um “negócio”. Disso Renan é um exemplo paradigmático. Para arrancar o político profissional do poder (e, muitas vezes, da corrupção) só existe um caminho: proibir a reeleição nos cargos executivos assim como no senado e limitar a dois mandatos no máximo (oito anos) os cargos de deputados e vereadores. Nisso consiste o fim do político profissional (veja nosso site fimdopoliticoprofissional. Com. Br).

João Francisco Lisboa já dizia no Jornal de Timon (1852-1858) que quantos têm alguma experiência das nossas coisas [da política] sabem que nada se inventa ou se altera [quando criticamos os políticos]; levando-se o escrúpulo e o amor da verdade a tão alto ponto, basta extratar os jornais do tempo para se conservar fiel não só às ideias, senão ao estilo e à frase. De resto, a política brasileira cifra-se toda “nestas mesmas supostas frioleiras e trivialidades, nas intrigas, nos insultos ao poder que cai, nas adulações ao poder que se ergue, no ciúme recíproco dos turiferários [aduladores], na banalidade das declamações, e na cópia servil e ridícula das fórmulas políticas, inventadas para outros debates e outras arenas [Europa, por exemplo]”. Mas nem porque o nosso teatro seja mais acanhado e obscuro, e os nossos atores e combatentes mais desazados [inoportunos] e bisonhos, nem por isso, dizia o autor citado, as paixões que nele se arrostam são menos ardentes e furiosas e deixam de produzir resultados menos nocivos e deploráveis (…) não se há de reprimir a minuciosidade das críticas aos políticos, porquanto dessas tenuidades e bagatelas vereis porventura abrolhar [brotar] mais tarde coisas mais sérias e tristes. Em suma – prossegue nosso autor -, “a moralidade de toda esta minha apologia está na seguinte verdade, e vem a ser que a política [brasileira], por mais que a envernizem, trajem e enfeitem à feição da política da corte [portuguesa], ou do estrangeiro [europeu, por exemplo, ou norte-americano], é afetada, mesquinha, insignificante e até ridícula (se é que devemos chamar as coisas pelo seu nome verdadeiro), e não há aí descrevê-la de outro modo”.

*Luiz Flávio Gomes, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil.


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