Itacaré: Território Quilombola do Fôjo tem relatório técnico publicado no DOU

Território Quilombola do Fôjo, em Itacaré, passa por certificação federal.
Território Quilombola do Fôjo, em Itacaré, passa por certificação federal.

O Território Quilombola do Fôjo situado no município de Itacaré, no Litoral Sul, teve o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) publicado nesta quarta-feira (11/03/2015), no Diário Oficial da União (DOU).  No Fôjo vivem 65 famílias remanescentes de quilombo, numa área de 1,3 mil hectares.

O RTID do Fôjo é o primeiro de 2015, na Bahia, e o vigésimo terceiro já publicado pelo Incra/BA, desde o início do Programa Brasil Quilombola. A publicação representa o fim de uma etapa complexa que visa à titulação coletiva do território. O RTID reúne estudos antropológicos, históricos, mapas descritivos que reconhecem a ocupação ancestral dessas famílias no território.

Os 25 proprietários dos imóveis rurais e posseiros, inseridos no Território Quilombola serão notificados. Após a notificação, há um prazo de 90 dias para que o relatório técnico possa ser contestado.

Início 

O marco do Fôjo está centrado na chegada de um escravo, Alfredo Gomes, que fugiu guiando-se pelo Rio de Contas, em 1880, de acordo com o Relatório Antropológico. As famílias contaram que o nome “Fôjo” tem origem nas armadilhas montadas no tempo de Alfredo Gomes.

Na época, eles abriam, nas matas, covas fundas cobertas por folhas secas para caçar animais e que serviam de complementação alimentar para as famílias. Eram conhecidas como fojo.

Ainda segundo o Relatório Antropológico, os netos de Alfredo Gomes contavam que o avô aprendeu a técnica no período da escravatura quando os fojos eram abertos nas florestas pelos capitães-do-mato para “capturar” os escravos fugitivos. Ainda hoje é possível encontrar algumas destas armadilhas, em certos lugares das matas do território desta comunidade.

História 

O município de Itacaré guarda contradições lendárias. No presente, ponto turístico internacional com morros cobertos por florestas, paisagens paradisíacas e muitos coqueiros, no passado era uma das cidades referência no comércio negreiro na Bahia, onde o Rio de Contas desemboca no mar.

O comércio negreiro, o Rio de Contas e a formação de quilombos se entrelaçam ao longo dos séculos. É que, segundo o analista em reforma e desenvolvimento agrário o Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra/BA, Itamar Rangel, muitos navios afundavam ao adentrar no rio para comercializar escravos em Itacaré e os sobreviventes fugiam para as matas formando quilombos.

“Há relatos também de que no comércio quando acontecia qualquer distração, os escravos também corriam se jogavam no rio e nadavam para as matas”, complementa Rangel.

Economia 

As famílias do Fôjo são formadas por pequenos agricultores voltados para a criação de animais de pequeno e médio porte e para a pesca no Rio de Contas. A agricultura envolve culturas para consumo e venda com os cultivos de cacau, banana, azeite de dendê, feijão, pimenta, abóbora e cupuaçu, além da mandioca com a finalidade da fabricação da farinha. A produção excedente é comercializada em feiras livres em Itacaré e no distrito de Taboquinhas.


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