Coaf não agiu porque estava ‘sobrecarregado’, diz presidente à CPI do HSBC

Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues.
Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues.
O vice-presidente da CPI do HSBC, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), disse que a lista de mais de 8 mil brasileiros com conta no HSBC da Suíça pode revelar o maior escândalo de evasão fiscal do país. Em audiência nesta quarta-feira (1º), o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse que uma investigação preliminar de 342 nomes, revelou que cem não declararam contas no exterior. Para Randolfe, os depoimentos de Rachid e do secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, demonstram falhas no sistema de controle fiscal e na legislação.
O vice-presidente da CPI do HSBC, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), disse que a lista de mais de 8 mil brasileiros com conta no HSBC da Suíça pode revelar o maior escândalo de evasão fiscal do país. Em audiência nesta quarta-feira (1º), o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse que uma investigação preliminar de 342 nomes, revelou que cem não declararam contas no exterior. Para Randolfe, os depoimentos de Rachid e do secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, demonstram falhas no sistema de controle fiscal e na legislação.

Em audiência na CPI do HSBC nesta quarta-feira (01/04/2015), o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues, explicou que o órgão tinha conhecimento da relação de correntistas brasileiros na filial suíça desde outubro mas não atuou por estar “sobrecarregado”.

Rodrigues enfatizou que o Coaf não é um órgão investigativo, e por isso não tomou providências imediatas no final de 2014, quando teve o primeiro contato com a lista. Além disso, a entidade estava ocupada com suas outras funções.

— Nós estávamos num período sobrecarregado no Coaf. Não só era fim de ano, em que tem feriados e férias, mas [também] tratamos de 318 mil comunicações, produzimos relatórios da [Operação] Lava Jato [da Polícia Federal], das eleições, da Operação Ararath [da Polícia Federal]. O documento foi sendo tratado, mas houve uma decisão de aguardar — relatou.

O presidente do Coaf também fez referência ao vazamento do relatório consultivo de inteligência financeira elaborado pelo órgão a respeito da lista, que também veio à tona em fevereiro. Rodrigues negou qualquer envolvimento do Coaf na disseminação das informações sobre o caso e pediu punições aos responsáveis.

— Pedimos à Polícia Federal abertura de investigação criminal para verificar. O fato é que a divulgação desse tipo de informação causa inúmeros prejuízos para o processo. Às vezes você até alerta um possível investigado — disse ele.

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e o Secretário Nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, também criticaram o vazamento e apontaram a necessidade de providências judiciais contra os envolvidos. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, negou que o BC tenha tido qualquer contato com a lista antes da divulgação do caso HSBC pela imprensa.

— Não tenho registro de que a gente tenha tido qualquer informação. O BC teve conhecimento e começou a trabalhar na lista quando recebemos o relatório de inteligência financeira do Coaf — relatou.

*Com informações da Agência Senado.


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