CPI do HSBC quer ouvir delator das contas secretas na França ou no Brasil

A falta de informações oficias sobre contas secretas de brasileiros no banco HSBC da Suíça dificulta os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito.
A falta de informações oficias sobre contas secretas de brasileiros no banco HSBC da Suíça dificulta os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito.

A falta de informações oficias sobre contas secretas de brasileiros no banco HSBC da Suíça dificulta os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do HSBC. Apesar dos apelos feitos pelos senadores às autoridades locais e francesas para que documentos detalhando a lista com cerca de 8,7 mil correntistas brasileiros sejam compartilhados com a comissão, até agora isso não aconteceu.

Segundo o relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), as informações devem ser enviadas pelo Ministério Público francês ao do Brasil com uma “cláusula de reserva”.

“Isso nos coloca em uma condição de zona cinzenta e coloca em xeque a própria existência desta Comissão Parlamentar de Inquérito”, avaliou o relator Ricardo Ferraço.

Como a França já compartilhou informações com pelo menos 19 países, como Estados Unidos, Espanha e Argentina, os parlamentares acreditavam que não teriam dificuldades de acesso a elas.

“Esta Comissão Parlamentar de Inquérito está diante de ter que tomar uma decisão: ou vai ou racha. Nós não vamos poder mais ficar tratando desse assunto como se tudo estivesse indo bem, porque temos prazo, temos responsabilidade e as informações não chegam. Está tudo indo muito bem, mas a matéria prima para que nós possamos trabalhar, não temos”, reclamou Ferraço.

Diante das dificuldades, foi aprovado hoje (30) um requerimento de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) para que a Comissão ouça na CPI o ex-engenheiro de software do HSBC, Hervé Falciani, responsável pelo vazamento das informações. Mesmo com a aprovação do requerimento, também não está descartada a possibilidade de Falciani ser ouvido na França.

“Na possibilidade de nós não termos um caminho para investigação, ele acaba se tornando fonte. Portanto, o requerimento de minha autoria é no sentido de que nós façamos uma diligência até Paris para ouvir o Sr. Hervé Falciani, a partir das informações que ele está disposto a dar. Ou, se ele se sentir seguro o bastante para isso, e for possível ao Governo brasileiro dar essas condições de segurança, ele poder vir até a CPI para prestar depoimento”, esclareceu Randolfe, que considera a oitiva do delator do escândalo fundamental para a comissão.


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