Deputados apontam dificuldades de discutir causa LGBT

Daniela Mercury beija a mulher, Malu Verçosa, na abertura de seminário LGBT no Congresso.
Daniela Mercury beija a mulher, Malu Verçosa, na abertura de seminário LGBT no Congresso.

A cantora Daniela Mercury, que participou nesta quarta-feira (20/05/2015) do 12º Seminário LGBT do Congresso Nacional, ressaltou a importância de lutar contra o ódio às minorias dentro do Congresso Nacional. Em um discurso pontuado por canções ressaltando a liberdade de expressão e as diferentes formas de amor, ela afirmou ainda que o ódio não encontra ressonância na população brasileira. LGBT é a sigla que designa orientações sexuais e manifestações de identidades de gêneros minoritárias.

“O povo brasileiro não quer violência. Isso é coisa de poucas pessoas. Isso é uma distorção. É uma questão política, de ação policial, de vigilância e de justiça. Está acima de qualquer separação das tribos urbanas. Cada um pode pensar o que quiser. A gente vive num país livre, onde todo o mundo pode pensar diferentemente”, declarou.

Ela também criticou a intolerância proveniente de pessoas religiosas. “Não venham inventar que há uma maioria cristã, evangélica que apoia a violência. Isso não é verdade. É um absurdo alguém achar que, por estar em uma religião, pode representar todas as outras e acirrar o ódio. A gente quer amor, gentileza, respeito, coragem.”

Daniela Mercury assumiu recentemente uma relação homossexual com Malu Verçosa. Durante o discurso da deputada Erika Kokay (PT-DF), Daniela e Malu trocaram beijos na boca e foram fortemente aplaudidas.

Experiência compartilhada

O casal homoafetivo Rogério Koscheck e Weykman Koscheck também compartilhou sua experiência e defendeu o reconhecimento da diversidade de famílias pela legislação brasileira. Casados há oito anos eles contaram como foi o processo de adoção de quatro irmãos, sendo três soropositivos para o HIV.

“Quando vemos que querem nos excluir no Estatuto da Família, a gente fica consternado. Os nossos filhos não eram tratados, não eram educados, não tinham um lar. Hoje eles têm tudo isso e são principalmente amados. Isso é família”, disse Rogério.

“Toda família é diversa”, disse Weykman, ao conclamar as pessoas a sentirem empatia e se colocarem no lugar do outro.

Críticas

Deputados ligados à defesa dos direitos humanos criticaram a postura de alguns colegas em relação à população LGBT, aos negros, às pessoas com deficiência, aos estrangeiros e aos mais pobres. Para os parlamentares que participaram da abertura do 12º Seminário LGBT, a Câmara tem agido de forma retrógrada ao pautar matérias como o Estatuto da Família (PL 6583/13), que define família como o núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, excluindo os casais homoafetivos.

A proposta tem causado polêmica e está sendo analisada por uma comissão especial.

“Nós estamos aqui para dizer que os movimentos que defendem o LGBT são movimentos revolucionários, porque falam do direito de amar”, disse, por sua vez, a coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos e Minorias, deputada Erika Kokay. “Eles querem a sociedade dos armários e nós queremos uma sociedade onde cada um possa viver sua humanidade”, completou.

O coordenador da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT, deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), disse que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, age de forma a reproduzir a cultura de ódio não só na Casa, mas também em suas ações fora do Parlamento. “Praticamente tentou impedir esse seminário de acontecer. Esse seminário só aconteceu graças a uma tenacidade nossa”, disse Jean Wyllys ao participar da abertura do evento.

O tema do seminário é a empatia, a possibilidade de se colocar no lugar do outro, a fim de desconstruir o ódio que se manifesta principalmente por meio das redes sociais, ressaltou Jean Wyllys.

*Com informações da Agência Câmara.


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