O Brasil em conta gotas | Por Janguiê Diniz

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.
Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.

O Brasil é – ou era – conhecido no mundo como o país das águas. Isso porque somos detentores de cerca de 13% de toda água doce disponível no planeta. No entanto, também somos os maiores consumidores de água do mundo. Essa afirmação é resultado de uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal, divulgada recentemente.

Hoje, é realidade no Brasil uma crise hídrica que afeta não apenas a região Nordeste do país – já habituada a longos períodos de estiagem. Muito tem se falado sobre os baixos níveis dos reservatórios em São Paulo, região sudeste. A cidade já está no uso do volume morto do Sistema Cantareira e com outros reservatórios, como o Alto Tietê e o Guarapiranga, entrando em colapso.

E a situação se agrava ainda mais quando avaliamos que, com a falta de chuvas no Sudeste, a principal nascente do rio São Francisco praticamente secou, causando sérias consequências na região Nordeste. Locais onde a água era abundante foram substituídos por bancos de areia e entre os estados de Sergipe e Alagoas, onde a profundidade do rio atingia até dez metros, hoje não passa de dois, dificultando a navegação.

Basicamente, a atual crise hídrica pode ser explicada por três fatores: a situação climatológica absolutamente fora dos padrões habituais, um modelo de consumo de água incompatível com a oferta e obras de infraestrutura hídrica que não foram implementadas tempestivamente.

Infelizmente, apenas a chuva não será capaz de resolver o problema do sistema Cantareira, nem do Alto Tietê ou de Sobradinho, no Nordeste. A verdade é que nos últimos anos o consumo de água aumentou em quase todo o país, sendo a agricultura responsável por 70% do consumo e também quem mais desperdiça – para se ter uma ideia, só em 2013, o agronegócio gastou 200 trilhões de litros de água, o equivalente a 200 Sistemas Canteira cheios.

Para minimizar os dados da crise hídrica, é preciso pensar primeiro em redução de consumo ou em um consumo consciente. Não temos como produzir água para os reservatórios e é possível reduzir os altos índices de consumo através de um controle maior, evitando os excessivos vazamentos na distribuição. Tudo apoiado em tecnologia e investimentos.

Os especialistas atribuem a crise hídrica a uma falta de gestão por parte do governo regional, entretanto, assim como um acidente automotivo não acontece em função de um único problema, a crise da água vivida em São Paulo e no Brasil tem outros fatores que vão além da falta de prioridade por parte das autoridades governamentais ao tema da água.

*Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional


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