Pesquisadora identifica oportunidades de emprego e renda na cultura afrobrasileira

Espaço Cultural Afrobrasileiro.
Espaço Cultural Afrobrasileiro.

Pioneira em inúmeras iniciativas nas mais diversas áreas, a Bahia pode ser o primeiro estado brasileiro a criar um espaço voltado para a divulgação da cultura e tradição afrobrasileira, com ênfase na geração de emprego e renda, além de reverenciar a cultura afrobrasileira em suas diversas linhas ou variações religiosas, que se articula com manifestações indígenas. Essa é a proposta do Espaço Cultural Afrobrasileiro (ECAB), um projeto idealizado pela pesquisadora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Tatiana Brito de Araújo, graduada em História, mestre em Ciências Sociais e doutora em Educação. “Nossa proposta é abrir frentes de trabalho que atendam demandas ocupacionais de segmentos em desvantagem social entre os quais membros de comunidades afrodescendentes, indígenas e quilombolas, além de valorizar a trajetória do negro na sociedade brasileira”, diz a pesquisadora.

Tatiana Araújo explica que está buscando alternativas para construção do projeto, que poderá contar com investimentos públicos e privados. Ela entende que a implantação do Espaço Cultural Afrobrasileiro foi pensando em local com saída para o mar, o que deverá atrair o turismo náutico. Ela informa que o empreendimento contará com três alas ou quadras principais com banheiros e serviços de informação. Na primeira ala deverão ser construídas lojas estilizadas e representativas de cada candomblé ou centro de umbanda que oferece mostra de medicina alternativa e oportuniza atendimento de consultas individuais, enquanto que para a segunda está previsto um espaço lúdico constituído de palco para  apresentações  artísticas e manifestações culturais diversas, além de uma livraria.  A terceira ala será a praça de alimentação integrada por restaurantes, e uma praça de baianas de acarajé.

A pesquisadora sustenta que o projeto “estimula a geração de renda, incentivando o empreendedorismo via associação da religiosidade com o setor turístico”. Tatiana Araújo analisa que o Espaço Cultural Afrobrasileiro vai estimular a comunicação de saberes mediante compartilhamento de ações e valorização de tradições peculiares à cultura da Bahia. Ela entende ainda que a iniciativa vai permitir a expansão de desenvolvimento local, vez que junto à captação de recursos para os centros religiosos e valorização da cultura afrobrasileira ocorrerá a expansão da imagem do município receptor do projeto, observando-se impactos na área turística e diversos ramos da economia. “Além disso, o centro vai Incentivar a pesquisa e resgatar a história oral, impulsionando o aprendizado prático a estudantes em geral e vivências a iniciados”.

O Espaço Cultural Afrobrasileiro tem como público alvo o universo de pessoas interessadas na cultura afrobrasileira e ações integradas a uma identidade comum, tais como os adeptos de candomblés e interessados em religiões de matriz africana; trabalhadores integrados às atividades desenvolvidas para funcionamento do  Espaço Cultural Afro, além de turistas e visitantes em geral.

Entre os impactos previstos estão a valorização da herança africana e indígena no Brasil mediante a adoção de política de integração de entidades públicas e privadas; ampliação de sentimento de pertencimento entre atores sociais com interesses comuns, além de criar oportunidades de geração de renda  para   segmentos  em desvantagem social.

De acordo com a pesquisadora, a concepção do Espaço Cultural Afrobrasileiro baseia-se na análise de que valorizar de forma mais vigorosa as manifestações religiosas, culturais e artísticas de raízes indígenas e africanas representa o reconhecimento a sua participação na construção da nossa história.

Ela destaca que um reflexo da forte conexão entre a África e a Bahia é a concentração em Salvador de população afrodescendentes superior a qualquer outro grupo étnico, observando-se as condições de desigualdade social que prevalecem entre os mencionados grupos e os demais segmentos populacionais. “Queremos valorizar a cultura afro, em particular suas manifestações religiosas, estimulando-se ao mesmo tempo ações de caráter social”, afirma Tatiana.

Ela analisa ainda que “a constituição do Espaço Cultural Afrobrasileiro permitirá a convergência de várias vertentes em um local específico, favorecendo a congregação de esforços resultantes de ações sociais realizados pelos candomblés, propiciando o fortalecimento dessa atuação religiosa e maior propagação da cultura afrobrasileira.


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