Em ‘A miséria da política’, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso traça panorama da crise moral brasileira, evidenciada por decisões econômicas desastrosas e corrupção

"Crise atual marca o fim de um período", escreve Fernando Henrique Cardoso (FHC).
"Crise atual marca o fim de um período", escreve Fernando Henrique Cardoso (FHC).
"Crise atual marca o fim de um período", escreve Fernando Henrique Cardoso (FHC).
“Crise atual marca o fim de um período”, escreve Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Para  Fernando Henrique Cardoso (FHC), um outro percurso na economia e política deve começar a ser desenhado pela oposição. Para ele, a crise atual marca o fim de um período, embora ainda não haja percepção clara sobre o que virá. É o que afirma em ‘A miséria da política’. O livro reúne textos escritos pelo ex-presidente do Brasil entre 2010 e 2015 e traça um panorama da crise moral que afeta o país.

“Em crises anteriores, as forças opostas ao governo estavam organizadas, tinham objetivos definidos. Foi assim com a queda de Getúlio Vargas em 1945, quando a vitória dos Aliados impunha a democracia; idem na segunda queda de Getúlio, quando seus opositores temiam a instauração da república sindicalista”.

Para ele, episódios históricos como o de Vargas, citado acima, viram o enfraquecimento da capacidade de governar previamente ao desenlace. Ele explica que os opositores tinham uma visão política alternativa com implicações econômicas e sociais. Atualmente, o caos atual representa, mais diretamente, o esgotamento de um modelo de crescimento da economia.

“Mais do que de uma crise passageira, o caos atual revela um esgotamento econômico e a exaustão das formas político-institucionais vigentes. Será necessário, portanto, agir e ter propostas em vários níveis”, escreve.

FHC ressalta que, embora a situação atual se assemelhe ao que ocorreu com a crise de Jango, nem por isso a saída desejada é golpista – e muito menos militar, frisa.

“O boom externo acabou, os cofres do governo secaram e a galinha dos ovos de ouro da nova matriz econômica – crédito amplo e barato e consumo elevado – perdeu condições de sustentabilidade. Isso no exato momento em que o governo Dilma pôs o pé no acelerador em vez de navegar com prudência. Daí que o discurso de campanha tenha sido um e a prática atual de governo, outra. Some-se isso a crise moral, na qual o petrolão não é caso único”, pontua.

Para FHC, as oposições devem iniciar no Congresso o diálogo sobre a reforma política. Ele ressalta que a crise, além de econômica e social, é de confiabilidade. Sendo assim, começam a surgir vozes por um diálogo entre oposições e governo. E questiona: “qual o limite entre diálogo político e conchavo, ou seja, a busca de uma tábua de salvação para o governo e para os que são acusados de corrupção?”.

“Sei que não basta reformar os partidos e o código eleitoral. Mas é um bom começo para a oposição que, além de ir às ruas para apoiar os movimentos populares moralizadores e reformistas, deve assumir sua parte de responsabilidade na condução do país para dias melhores. Deste governo há pouco a esperar, mesmo quando, movido pelas circunstâncias, tenta corrigir os rumos. Tanto quanto popularidade, falta-lhe credibilidade”, finaliza.

Fernando Henrique Cardoso nasceu no Rio de Janeiro em 1931. Foi Presidente do Brasil por dois mandatos consecutivos, de 1995 a 2003, vencendo ambos os pleitos por maioria absoluta de votos. Sociólogo graduado na Universidade de São Paulo, afirmou-se desde o final dos anos 1960 como um dos mais influentes intelectuais latino-americanos na análise de temas como os processos de mudança social, o desenvolvimento e a dependência, a democracia e a reforma do Estado.

Sobre a obra

Título: ‘A miséria da política’

Autor: Fernando Henrique Cardoso

Editora: Civilização Brasileira

*Com informações da Livraria Folha.


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