Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz que foi perseguida e ameaçada por ter denunciado irregularidades

Petrobras, Venina Velosa da Fonseca. Venina Velosa disse que foi 'exilada' em Cingapura, depois de fazer denúncias a respeito de irregularidades na Petrobras.
Audiência pública para ouvir o depoimento da ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca. Venina Velosa disse que foi 'exilada' em Cingapura, depois de fazer denúncias a respeito de irregularidades na Petrobras.
Petrobras, Venina Velosa da Fonseca. Venina Velosa disse que foi 'exilada' em Cingapura, depois de fazer denúncias a respeito de irregularidades na Petrobras.
Audiência pública para ouvir o depoimento da ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca. Venina Velosa disse que foi ‘exilada’ em Cingapura, depois de fazer denúncias a respeito de irregularidades na Petrobras.

Em depoimento na quarta-feira (23/09/2015) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, a ex-gerente da área de Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca disse ter sido afastada das funções e ficado seis meses sem nenhuma atribuição na empresa, em uma sala sem computador, depois de fazer as denúncias a respeito de irregularidades na empresa.

Ela também disse ter sido “exilada”, ao ser transferida para o escritório da empresa em Cingapura.

Ao prestar depoimento à CPI da Petrobras, ela disse que o mesmo aconteceu com o então gerente jurídico da estatal Fernando de Castro Sá, que apontou a interferência das empresas contratadas pela Petrobras na elaboração dos contratos, e também perdeu a função.

Sá, em depoimento à CPI, disse que foi perseguido depois de denunciar a interferência de uma entidade ligada às empreiteiras, a Associação Brasileira de Montagem Industrial (Abemi), nos contratos da Petrobras.

Ministério Público

À CPI, Venina admitiu que resolveu procurar o Ministério Público e denunciar irregularidades na estatal depois de ter sido afastada da gerência do escritório da empresa em Cingapura.

Ela gerenciou o escritório da companhia em Cingapura durante cerca de dois anos. “Em 2014, fui comunicada pela imprensa que não era mais gerente. Quando voltei ao Brasil, a primeira coisa que fiz foi ir ao Ministério Público, e disse o que sabia”, relatou.

Ameaças

Ela disse ainda, ao responder pergunta do deputado Ivan Valente (Psol-SP), ter sido ameaçada depois de denunciar irregularidades na estatal.

“Eu moro no (bairro do) Flamengo, no Rio, e tinha ido visitar uma amiga no (bairro) Catete. Quando saí de lá, por volta de 21h, numa rua escura, duas pessoas se aproximaram de mim e gritaram e praticamente repetiram ameaças que eu já tinha recebido por telefone”, disse.

Segundo Venina, as pessoas “disseram que aquilo tudo era muito grande, que tinha gente poderosa envolvida e que eu ia me dar mal”, afirmou.

“Mas a senhora registrou a ocorrência?”, perguntou o deputado.

“Não, eu estava muito assustada. Não registrei”, disse.

Questionamento

Durante o depoimento, Venina foi questionada a respeito da contratação, pela Petrobras, de uma empresa de seu ex-marido.

Ela admitiu que assinou, como representante da Petrobras, contratos com a empresa Salvaterra Consultoria e Engenharia ltda, que pertencia a seu ex-marido, Maurício Luz. “A senhora não acha que há um conflito de interesses nessa contratação?”, perguntou o deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA).

Ela respondeu que os contratos foram firmados antes do início do relacionamento dela com o empresário. Venina e Luz foram casados entre 2007 e 2013, segundo a ex-gerente.

Cingapura

Ela também teve que explicar a retaliação que afirmou ter sofrido ao fazer denúncias. O relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), questionou o fato de ela classificar sua transferência para Cingapura como uma punição.

“Como a senhora pode afirmar que foi exilada em Cingapura, com um salário de 60 mil dólares por mês, o equivalente [em valores atuais] a R$ 240 mil mensais?”, perguntou o deputado.

A ex-gerente disse que essa quantia embutia auxílio-moradia e outros benefícios. “O aluguel em Cingapura era caríssimo”, respondeu. Ela acrescentou que não pediu para ir para Cingapura e que suas duas filhas pequenas sofreram muito com a saída do Brasil.

O deputado Leo de Brito (PT-AC) também questionou a ex-gerente. Ele leu trecho de um depoimento em que a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, afirma que Venina pediu para ir para Cingapura. “Ela está mentindo?”, perguntou o deputado.

“Acho que nesse trecho ela não falou a verdade”, respondeu a depoente.

Próximos depoimentos

Na próxima quinta-feira (24), a CPI da Petrobras vai ouvir os depoimentos de três executivos da Petrobras: Gustavo Freitas, Vitor Tiago Lacerda e Marcos Guedes Gomes Morais.

Na semana que vem (29), serão ouvidos os empresários Daniel e David Feffer, ex-controladores da empresa Suzano Petroquímica, comprada pela Petrobras em 2007.

Eles tinham pedido o adiamento do depoimento, em função de um feriado judaico, mas o pedido foi indeferido pelo presidente em exercício da CPI, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Segundo investigações da Operação Lava Jato, a petroquímica Suzano foi adquirida pela Petrobras por duas vezes o valor de mercado da empresa.

*Com informações da Agência Câmara.


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