O escritor feirense Vladimir Queiroz lança, na terça-feira (15/09/2015), às 19h, no Restaurante Casa de Tereza, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, o livro “Muxarabis”, sua décima obra publicada e a nona dedicada à poesia, ampliando uma trajetória literária iniciada em 1996 e marcada pela articulação entre experiência pessoal, reflexão metafísica e elaboração estética.
Obra aprofunda diálogo entre imagem, proteção e descoberta
O lançamento ocorre no Restaurante Casa de Tereza, localizado na Rua Odilon Santos, nº 45, no Rio Vermelho, bairro de forte circulação cultural em Salvador. A escolha do espaço reforça o caráter público do encontro entre autor, leitores e apreciadores da literatura baiana, em um evento voltado à apresentação de uma nova etapa da produção poética de Vladimir Queiroz.
Em “Muxarabis”, o escritor trabalha a imagem arquitetônica do muxarabi como elemento simbólico. No prólogo da obra, ele afirma que o muxarabi “encobre, protege, delineia os contornos”, exigindo de quem observa de fora um esforço de penetração no íntimo daquilo que está parcialmente oculto. A formulação sugere uma leitura da poesia como exercício de revelação gradual, em que a aparência inicial conduz a camadas mais profundas de sentido.
Segundo o autor, a literatura funciona como meio de resgate de um olhar capaz de ultrapassar os planos físicos e alcançar o terreno da metafísica. A proposta indica uma escrita voltada não apenas à descrição do mundo visível, mas também à investigação das experiências, memórias e percepções que estruturam a visão de mundo do poeta.
Décimo livro consolida percurso literário iniciado em 1996
“Muxarabis” representa o décimo livro publicado por Vladimir Queiroz e o nono de poesias. A marca confirma a regularidade de uma produção literária construída ao longo de quase duas décadas, com títulos que percorrem diferentes registros poéticos, linguísticos e simbólicos.
A trajetória editorial do escritor teve início com “Seres & Dizeres”, publicado em 1996. Depois vieram “Terracota” (2001), “Infantilis” (2003), “ABCDito e outros ditos mais” (2003), “Apokálupsis do Sertão” (2006), “Luminescência” (2008), “Instinto” (2010), “Alcatruz” (2011) e “Nuances” (2012).
A circulação da obra de Vladimir Queiroz ultrapassou o ambiente regional. Em 2015, “Nuances” foi publicado em Portugal pela Chiado Editora e traduzido na Romênia pela Editora Timpul, movimento que ampliou a presença internacional do autor e deu nova dimensão à sua produção literária.
Formação em Engenharia Química dialoga com disciplina e criação literária
Além da atividade literária, Vladimir Queiroz é formado em Engenharia Química pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). O próprio autor reconhece que o trabalho como engenheiro exige concentração, método e decisões baseadas em fatos, dados e formulações bem delineadas.
Na avaliação do escritor, a literatura oferece maior liberdade de escolha, mas também é conduzida por experiências acumuladas, observações e registros da realidade. Essa relação entre método técnico e liberdade criativa aparece como um dos traços distintivos de sua produção, em que vivência, memória e reflexão se combinam na construção do texto poético.
Para Vladimir Queiroz, os fatos e dados também orientam a escrita literária, ainda que sob outra lógica. As experiências passadas, revisitadas pela sensibilidade do autor, moldam a visão de mundo e alimentam uma busca constante de diálogo com o leitor, com o objetivo de alcançar a universalização das ideias.
Literatura como mediação entre experiência e universalidade
A obra de Vladimir Queiroz se insere em uma tradição poética que valoriza a palavra como instrumento de investigação interior e de comunicação simbólica. Em “Muxarabis”, a metáfora central remete à tensão entre o que se mostra e o que permanece resguardado, entre a superfície da imagem e a profundidade da experiência.
Essa perspectiva aproxima a nova publicação de um campo literário em que a poesia não se limita à expressão subjetiva, mas busca organizar percepções sobre o mundo, o tempo, a memória e a condição humana. O muxarabi, nesse sentido, funciona como imagem de passagem: protege, oculta e, ao mesmo tempo, provoca a curiosidade do observador.
O lançamento em Salvador também reforça a presença de autores do interior baiano no circuito cultural da capital. Natural de Feira de Santana, Vladimir Queiroz representa uma produção literária que se desloca entre territórios, formações profissionais e ambientes editoriais diversos, sem perder o vínculo com a experiência regional.








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