Prévia da inflação passa de dois dígitos e chega a 10,28% em 12 meses

Poder de compra do real é reduzido com processo inflacionário e desvalorização cambial.
Poder de compra do real é reduzido com processo inflacionário e desvalorização cambial.

Com a alta de preços dos combustíveis e dos alimentos, a prévia da inflação oficial brasileira acelerou em novembro e chegou a 10,28% no acumulado em 12 meses. Segundo dados divulgados, nesta quinta-feira (19/11/2015), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a primeira vez que a prévia da inflação registra uma taxa de dois dígitos para o período desde novembro de 2003 (12,69%).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,85% em novembro – maior taxa para o mês desde 2010 (0,86%). O resultado mostrou ainda uma aceleração em relação ao mês de outubro, quando ficou em 0,66%. No ano, a taxa acumulada é de 9,42% no ano – índice mais elevado para o período desde 1996 (9,70%). Segundo matéria publicada na Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (19), com a inflação acima do teto da meta de 6,5%, o presidente do Banco Central terá que publicar carta aberta ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no início do próximo ano, com justificativa pelo não cumprimento da meta de inflação.

Para o deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB-GO), a presidente Dilma, apesar de ser economista, arruinou a economia no país e como gestora não consegue claramente dar condições para que os agentes econômicos possam reverter esta situação de crise social e econômica. “Primeiro, ela tentou ‘na marra’ forçar a baixa dos juros, depois aumentou consideravelmente os juros e isto se deve a todo descrédito que tem no governo somado ao represamento de diversos preços que ficaram congelados ou momentâneamente sem aumento e agora refletem no dia-a-dia”.

Segundo o tucano, a alta da inflação é o reflexo da desestruturação da política econômica adotada pelo governo Dilma. “Isso demonstra a total incapacidade do governo diante das contas públicas. Não faz o dever de casa com redução de despesas em todos os segmentos e esferas do poder e para fechar essa conta, já que não é pela redução de despesa, é pelo aumento da receita através da alta dos impostos já existentes e a criação de novos”.

A alta da inflação se deve, principalmente, pelo aumento dos preços administrados pelo governo Dilma, como, por exemplo, a energia elétrica, a gasolina, o gás de botijão e os jogos de azar. Conforme a Folha, são preços que, em parte, foram represados no passado para evitar uma inflação maior, como é o caso da gasolina da Petrobras, uma das maiores fontes de pressão em novembro.

O aumento do desemprego e da inflação amplia a crise social do governo petista, influenciando diretamente na renda das famílias brasileiras. “A inflação corrói o poder aquisitivo da população. A pesquisa de orçamento familiar capta, claramente, quer seja na verdura, no aluguel, quer seja na gasolina, na energia elétrica, em todos os pontos há um incremento da inflação, o que acaba prejudicando a todos e, em especial, as pessoas mais carentes”, destaca Giuseppe Vecci.

Maiores índices

Com o reajuste dos combustíveis, a prévia da inflação do grupo de transportes passou de 0,80% em outubro para 1,45% em novembro. O grupo também foi afetado pelos ônibus urbanos (0,76%) devido aos reajustes das tarifas em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Fortaleza (CE). Dados do IBGE apontam que o transporte foi o grupo que mais impactou a inflação do mês de novembro, respondendo por 0,27 ponto percentual da alta de 0,85% da inflação no mês.

Já o grupo alimentação e bebidas também contribuiu para aceleração na prévia da inflação, subindo 1,05% no mês – responsáveis por 0,26 ponto percentual do IPCA-15 de novembro. O setor de alimentos foi afetado pelas chuvas e, segundo economistas ouvidos pelo jornal, está entre os que mais rapidamente repassa a valorização do dólar para seus produtos. A maior alta apresentada no mês foram o tomate (12,23%), açúcar cristal (9,61%), açúcar refinado (7,94%), arroz (4,10%), frango inteiro (3,96%), cerveja (3,35%), óleo de soja (2,84%), frutas (2,14%), carne (1,71%) e pão francês (1,03%).

O setor habitação, foi influenciado pelos reajustes de energia elétrica e a inflação prévia chegou a 0,74% em novembro, abaixo dos 1,15% do mês anterior. A inflação da energia elétrica foi de 0,95%. A higiene pessoal (1,21%) e o plano de saúde (1,06%) tiveram influência em saúde e nos cuidados pessoais (0,66%), enquanto cabeleireiro (1,02%) e serviços bancários (0,73%) atingiram as despesas pessoais.

Ainda conforme o IBGE, na análise por região, a maior taxa foi registrada em Fortaleza (CE) com 1,18% – influenciada pela elevação de 2,92% de ônibus urbano e alimentação fora de casa, que subiu 1,30%, acima da média nacional de 0,52%. O menor índice de 0,68% ficou com a região metropolitana de Porto Alegre (RS).


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