Deputado Leonardo Picciani: PMDB poderá trocar de líder a qualquer momento com a volta das listas

O ex-líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), que foi substituído na quarta-feira (09/12/2015) no cargo pelo deputado Leonardo Quintão (MG), disse que a prática de trocar líder da bancada com assinaturas em listas, que vigorou há cerca de dez anos pelo período de mais ou menos dois anos, foi reaberta e, a qualquer momento, a bancada poderá novamente trocar de líder.

“Há muito o PMDB tinha encerrado a prática da feitura de lista e essa prática foi reaberta hoje. Então está reaberta a temporada de lista. Pode ser que, a qualquer momento, surjam outras listas [de troca de líder]”, disse Picciani.

A substituição de Picciani por Quintão ocorreu com a coleta de assinaturas de mais da metade dos deputados da bancada. Insatisfeitos com a decisão de Picciani de indicar para a chapa oficial da comissão do impeachment deputados contrários ao procedimento, pemedebistas recolheram as assinaturas de 35 dos 66 deputados da bancada e fizeram de Quintão o novo líder.

Picciani negou que tenha indicado só deputados contrários ao impeachment para a comissão. Ele disse que a grande maioria dos indicados não tem posição definida e que não pediu compromisso de nenhum deles para votarem contra o processo.

Em relação a sua substituição na liderança, Picciani disse que recebia a decisão com toda tranquilidade. “Não me cabe tentar voltar ao posto de líder. Se for a vontade da maioria da bancada em um determinado momento, ela se expressará”, disse. Picciani disse que, se a bancada achar que ele deve retornar à função de líder, ele retornará ao cargo.

O ex-líder informou que em função das listas que ocorreram no passado, vários deputados chegaram a ocupar a liderança do PMDB por um dia, por dois dias, por três dias ou uma semana e que isso acabou quando o ex-deputado Henrique Eduardo Alves assumiu a liderança do partido. Picciani disse que, com a volta das listas, “a partir desse momento, a qualquer momento, a qualquer hora, a qualquer dia, pode vir uma lista e trocar o líder da bancada”.

Governador Luiz Fernando Pezão: destituição de Picciani é desrespeito com bancada do Rio de Janeiro

A destituição do deputado Leonardo Picciani (RJ) da liderança do PMDB na Câmara é um desrespeito com os deputados do partido eleitos pelo Rio de Janeiro, disse na noite de  quarta-feira (09/12/2015) o governador Luiz Fernando Pezão. Segundo ele, a maior parte da bancada do partido foi desleal com Picciani.

“Não estou dentro do Congresso, mas lamento. Faltando um mês para acabar o mandato dele, acho uma medida, um desrespeito à maior bancada do Brasil, que é do PMDB do Rio, acho que foi um gesto de desconsideração a tudo o que o Rio de Janeiro representou para o PMDB nacional. Acho muito ruim quando ele está fazendo um trabalho de votar com uma chapa cujo vice-presidente é do PMDB”, disse o governador. Picciani (RJ foi substituído no cargo pelo deputado Leonardo Quintão (MG) após pemedebistas terem recolhido as assinaturas de 35 dos 66 deputados da bancada e indicado Quintão para o cargo.

Pezão voltou a se posicionar contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, dizendo que a discussão atrapalha os esforços do governo para superar a crise econômica. “Acho uma loucura. A gente tem tantos problemas no país, com o desemprego crescendo assustadoramente, com as empresas demitindo, nós estarmos discutindo uma abertura de impeachment. Eu votei na chapa do Michel [Temer] com a presidenta Dilma para criarmos um bom ambiente de negócios, para ter atividade econômica e ver o Brasil progredir”.

O governador deu as declarações depois de uma hora e meia de reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Pezão veio pedir que o Tesouro Nacional autorize o estado a pegar empréstimo para a conclusão das obras do metrô do Rio e que a equipe econômica avalie a possibilidade de renegociar parte do pagamento do serviço da dívida do estado com a União, atualmente em R$ 8 bilhões por ano.

“Neste ano, tivemos perda de receitas de R$ 13 bilhões [em relação ao inicialmente estimado]. São R$ 6,5 bilhões [a menos] de ICMS [Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços] e R$ 6,5 bilhões [a menos] de royalties do petróleo [que caíram por causa da queda da cotação do petróleo no mercado internacional]. Enquanto isso, os compromissos permanecem”, disse Pezão. Segundo ele, o estado ainda tem de terminar de pagar o décimo terceiro aos servidores e ficar em dia com os fornecedores.

*Com informações da Agência Brasil.


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