Deputado pede aprofundamento das investigações sobre prisão de vereador Elinaldo Araújo, do Democratas de Camaçari

A Operação Caronte, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), resultou na prisão do vereador Antônio Elinaldo Araújo (DEM) na quinta-feira (10/12/2015), sob suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e envolvimento com organização criminosa. A prisão ocorreu durante uma sessão na Câmara dos Vereadores de Camaçari, surpreendendo o público e os colegas legisladores. Segundo o Ministério Público, a operação visava desarticular um esquema de enriquecimento ilícito envolvendo figuras políticas e empresários da região. Elinaldo foi solto na sexta-feira após obter um habeas corpus. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmou sua liberação por volta das 12h20.

Posicionamento de Bira Coroa: Investigação Imparcial e Transparência

O deputado estadual Bira Coroa (PT) manifestou-se sobre o caso, destacando a importância de que as investigações prossigam de forma imparcial e aprofundada. “O Ministério Público está realizando um trabalho fundamental. A prisão foi embasada em um ano de apuração e não deveria ser tratada como mera ação política”, afirmou o deputado, rebatendo as declarações de membros do DEM que sugerem motivações políticas na operação. Para Bira, as acusações contra Elinaldo são sérias e requerem análise profunda e técnica. “Estamos falando de crimes graves, como lavagem de dinheiro e organização criminosa. Isso não pode ser desviado para uma disputa de narrativas”, destacou.

Críticas à Politização da Prisão

Bira também contestou o que chamou de “manobras políticas” do DEM, partido de Elinaldo, ao tentar associar a operação a uma perseguição política.

“Transformar uma investigação séria e fundamentada em um simples episódio eleitoral é irresponsável. O fato de ele ser pré-candidato à Prefeitura de Camaçari não tem relação alguma com as ações paralelas em que ele supostamente está envolvido”, afirmou o deputado.

A nota pública divulgada pelo PT municipal, assinada pelo presidente da Câmara Municipal e também presidente do partido, José Marcelino, enfatiza a mesma posição: “Dizer que a prisão do vereador Elinaldo foi armação, como o DEM irresponsavelmente tem feito, é tentar destruir a reputação do Poder Judiciário”, reitera a nota.

Investigação de Organização Criminosa e Acusações de Lavagem de Dinheiro

As investigações conduzidas pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontaram que Elinaldo faria parte de uma organização criminosa conhecida como “Pinta”, que teria atuado por cerca de 28 anos na cidade de Camaçari. O grupo é suspeito de movimentar aproximadamente R$ 5 milhões em recursos não comprovados, supostamente provenientes do comércio ilícito de jogos de azar, incluindo o “jogo do bicho”. “Esses valores milionários circulando sem origem legítima sugerem práticas de enriquecimento ilícito e violam a legislação vigente”, declarou um investigador ligado ao caso.

Repercussão e Solidariedade do PT à Justiça

O diretório municipal do PT de Camaçari declarou solidariedade à atuação do Ministério Público e à Justiça, destacando que o partido não aceitará tentativas de pressão externa sobre as apurações. Em nota, Bira Coroa reafirmou essa postura e solicitou o prosseguimento das investigações com rigor.

“Nunca, na história de Camaçari, um vereador foi preso na Câmara Municipal. Lamentamos que o DEM, ao tentar politizar essa questão, tenha colocado essa mancha na instituição”, disse o deputado, citando a nota.

O parlamentar reiterou que o PT apoiará as ações do Judiciário e interpelará judicialmente o presidente do DEM, Helder Almeida, caso as declarações políticas ultrapassem o limite da ética e da justiça.

Habeas Corpus e Situação dos Outros Suspeitos

A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) confirmou a liberação de Elinaldo Araújo na sexta-feira (11), por volta das 12h20, por meio de habeas corpus. Além de Elinaldo, a Operação Caronte realizou prisões e expediu mandados contra outros envolvidos na organização. Entretanto, o paradeiro de alguns suspeitos ainda é desconhecido, com Cristiano Araújo da Silva e Ivan Pedro Moreira de Souza ainda em condição de foragidos.

Além de Elinaldo, a Operação Caronte prendeu outros suspeitos e emitiu mandados contra indivíduos associados ao esquema investigado. Entre eles, estão Pedro de Souza Filho, detido na mesma operação, enquanto Cristiano Araújo da Silva e Ivan Pedro Moreira de Souza permanecem foragidos. A investigação, que continua em curso, visa apurar o alcance das atividades da organização criminosa e o nível de envolvimento de cada um dos suspeitos.

“A liberação do vereador, ainda que provisória, não representa o fim das investigações, que devem seguir até que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos”, ressaltou um representante do MP, reforçando o compromisso da instituição com a transparência no processo.

Contexto e Próximos Passos nas Investigações

O Ministério Público prossegue com as investigações, e a continuidade das apurações será decisiva para esclarecer o grau de envolvimento de cada suspeito. A prisão de Elinaldo, no contexto de uma candidatura à Prefeitura de Camaçari, gerou reações diversas e acentuou o debate sobre a relação entre política e investigação criminal no município. O PT de Camaçari solicitou ao MP-BA que mantenha as diligências, a fim de garantir um processo livre de pressões políticas e com foco nos dados técnicos apurados.

  • Operação: Caronte, realizada pelo MP-BA, investigando crimes como lavagem de dinheiro e organização criminosa.
  • Acusado: Antônio Elinaldo Araújo (DEM), vereador e pré-candidato à Prefeitura de Camaçari.
  • Acusações: Lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e exploração ilícita de jogos de azar (jogo do bicho).
  • Liberação: Habeas corpus concedido na sexta-feira (11) pela Seap-BA.
  • Organização Criminosa: Conhecida como “Pinta”, atuando em Camaçari há 28 anos e com movimentações suspeitas de R$ 5 milhões.
  • Outros Envolvidos: Pedro de Souza Filho (prisão confirmada), Cristiano Araújo da Silva e Ivan Pedro Moreira de Souza (foragidos).
  • Posição do PT: Apoio ao Ministério Público, defesa do aprofundamento das investigações e repúdio a tentativas de politização do caso.


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