O documentário ‘O Gigante do Papelão’ de Barbara Tavares é um filme que te convida a reciclar o seu olhar.
No dia do seu aniversário, enviei mensagem de felicitações a amiga e cineasta Barbara Tavares, mensagem acompanhada de sinceras declarações;
— Parabéns, minha cineasta preferida. Autora do melhor filme nacional de 2015 (Hermógenes, professor e poeta do yoga). Sou seu fã… e etc.
Em atenção a este que vos escreve, a Barbara Tavares me enviou o link de um premiado filme curta-metragem produzido por ela, com o título ‘O Gigante do Papelão’ (2010).
O documentário conta a história da arte do artista plástico Sergio Cezar e seu poder de transformação. Sergio, também conhecido como o Arquiteto do Papelão, usa materiais descartados e lixo para recriar casas, favelas e cidades inteiras. Seu trabalho propõe uma verdadeira reciclagem no olhar. Em seu ateliê, um vidro de perfume vira lustre. O vaso de plantas é um tênis.
A habilidade de ver tesouros no lixo vem da infância. Quando os moradores de um prédio de classe média alta em Laranjeiras jogavam móveis fora, seu pai, o porteiro, guardava. Se uma casa deslizava no Morro Dona Marta, os desabrigados já sabiam. Era bater na casa do Seu Alziro que ele doava geladeira, fogão e cama usados. Quando morreu, em 1988, o benfeitor tinha 60 afilhados na região.
— O contato que eu tinha na favela era por causa das crianças que davam pro meu pai batizar — conta Sergio, que ouviu poucas e boas do velho quando, aos 20 anos, largou uma carreira promissora no futebol para ser artista plástico:
— Sou autodidata. Quando olho uma caixa, vejo uma casa. Fico olhando, às vezes um mês, para entender o que aquele pedaço de papelão quer me dizer. Aí eu corto. É tudo no olho — conta Sergio.
Suas obras já viajaram o mundo. Seja por causa da abertura da novela “Duas caras” da TV Globo, uma favela cenográfica, que representava o principal cenário da trama de Aguinaldo Silva, ou por suas várias exposições e workshops. Na Universidade de Columbia, ficou assustado: seus alunos não eram estudantes, mas arquitetos que já atuavam em todo planeta.
O artista plástico Sergio Cezar vive exclusivamente do seu esforço, sem patrocínio governamental.
— Nunca venci um edital — diz o artista, que não para de criar: seu projeto “A cidade da paz” simboliza a alegria, que pode nascer do lixo, ele ensina.
Em 11’56” de ‘O Gigante do papelão’ Barbara Tavares consegue transmitir toda a arte, dedicação e beleza das formas desse criativo artista plástico que recicla o lixo e transforma em arte.
Como professor de arte das comunidades de baixa renda do Rio de janeiro, Sergio Cezar desenvolve trabalho de inclusão social ao tirar das ruas jovens em situação de vulnerabilidade e dar-lhes dignidade e profissão.
Vejam!
Barbara Tavares, sou cada vez mais seu fã.
Filme documentário: O Gigante do Papelão
http://www.snagfilms.com/films/title/o_gigante_do_papelao_think_big_small_scale
Ficha técnica
País: Brasil
Duração: 11’56”
Diretor: Bárbara Tavares
Ano: 2010
Prêmios: Melhor Curta-metragem eleito pelo público no Cine Fest Brasil-Montevideo, Melhor Curta-metragem eleito pelo público no Cine Fest Brasil-Buenos Aires
Festivais: Festival de Havana, Cuba, Festival de Huesca, Espanha,Cine Fest Brasil – Montevideo, Uruguai, Cine Fest Brasil – Buenos Aires, Argentina, Dockanema, Moçambique/África, LABRFF, Los Angeles, EUA, SIFF Mobile, Xangai, China, Cinesul, Rio de Janeiro, DC Shorts, Washington, DC, EUA, Lakino, Alemanha, GFFIS Seul, Correa do Sul, Festival Ambiental Guará, MT.











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